Depoimento de Wagner Teixeira sobre sua passagem pela direção do Sindicato dos Rodoviários do ABCDMRP entre 1981/1984.

“No início de 1980, enquanto dirigia um ônibus da empresa Trans-Bus, que fazia a linha São Bernardo do Campo / Estação de São Caetano do Sul, um passageiro fez sinal para que eu parasse e, ao invés de subir pela porta traseira do coletivo, como mandava o regulamento, veio até a janela lateral do motorista e entregou-me uma filipeta, nessa filipeta havia o convite para que os trabalhadores rodoviários do ABC, comparecessem a uma reunião com as lideranças do movimento de oposição ao sindicato, que seria realizada no centro de Santo André na Rua 11 de Junho às 15 horas, o dia eu não lembro, além do convite a filipeta falava da necessidade da união dos rodoviários, para tirar da direção do sindicato os pelegos que estavam a serviço dos interesses patronais e, dessa forma, impediam a organização dos trabalhadores, para lutar contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho da categoria.
Em 1978, quando aconteceu o movimento grevista dos motoristas, eu trabalhava na Caixa Econômica de São Paulo e acompanhei o movimento pelo noticiário.
Movido mais pela curiosidade do que por qualquer outra coisa, compareci ao local da reunião, lá chegando estranhei a falta de gente no local e pensei ter chegado muito cedo,
achei também esquisita uma reunião sindical em um bar; passado algum tempo chegam ao local uns camaradas que eu nunca havia visto antes, eram as lideranças do movimento de oposição rodoviária do ABCDMRP. Feitas as devidas apresentações constatei que, da chamada base, somente eu comparecera à reunião. Dos participantes da reunião lembro-me hoje de apenas duas pessoas, Josias Adão e Rubens do Carmo Alves. Informaram-me que eram candidatos da chapa 2 de oposição e que disputariam a eleição para a direção do sindicato. Rubens do Carmo Alves era o encabeçador da chapa.
O Rubens eu já conhecia, ele havia sido meu chefe em uma das empresas em que trabalhei, éramos motoristas nessa empresa e ele foi promovido a chefe por ser um bom profissional, essa condição, no entanto, durou pouco e ele acabou por voltar a dirigir ônibus.
Fiquei sabendo que a chapa já estava registrada, e que precisavam muito de apoiadores que os ajudassem durante o processo eleitoral, já que não seria nada fácil derrotar os candidatos da situação, pois eles contavam com o apoio patronal e da DRT (Delegacia Regional do Trabalho), órgão do governo ao qual estavam subordinados todos os sindicatos da época.
Foi a partir dessa reunião que eu passei a ser um apoiador, um tanto quanto anônimo, da chapa 2 de oposição dos rodoviários do ABC.
As reuniões da chapa 2 aconteciam em um salão cedido pela APEOESP que se localizava na Rua Siqueira Campos, próximo ao Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Nesse local, participei da reunião onde os participantes foram informados de que as eleições não haviam atingido o quorum, para a contagem dos votos e, por essa razão os destinos do sindicato seriam definidos pela DRT.
Como bem relata em seu depoimento o companheiro Josias Adão, a pelegada inchou a lista de votantes para dificultar a obtenção do quorum, e sendo a terceira e última eleição, foi decretada a vacância na direção do sindicato e a DRT nomeou uma junta governativa composta por três membros, todos motoristas, provavelmente indicados pelo patronato, e que permaneceram à frente da entidade por um ano.
A chapa 2 ,encabeçada por Rubens do Carmo Alves (já falecido) , derrotada pela falta de quorum nas eleições de 1980, cumpriu, em minha avaliação, papel decisivo para tirar os pelegos da direção sindical rodoviária. Apesar de derrotada pelas manobras dos pelegos, foi a chapa 2 de 1980, quem mostrou aos trabalhadores rodoviários, que era possível tirar da direção de seu sindicato a pelegada, e colocar lá trabalhadores comprometidos com os verdadeiros interesses da categoria.
Fim de reunião, ânimos no chão pelas perspectivas que se apresentavam, só restava juntar os cacos e recomeçar.
Do trabalho de reorganizar a oposição Rubens do Carmo não mais participou, voluntariamente afastou-se do movimento que ajudou a criar.
Fundamental no processo de reorganização da oposição foi o apoio recebido dos sindicatos e entidades como, APEOESP, Convergência Socialista, FASE, igreja católica e os militantes vindos das organizações de esquerda, que atuavam ainda na clandestinidade.
No processo de reorganização da oposição participo de cara limpa, passo a militar de fato no grupo oposicionista.
Na condição de ativista sindical oposicionista perdi meu emprego na empresa Trans-Bus Ltda.
Impossibilitado de arrumar emprego em uma empresa de ônibus, fui trabalhar como motorista no Depósito de Materiais para Construção Ropeva Ltda. em Diadema.
Firme nos trabalhos (quase que clandestinos) da oposição, encontrei pessoas comprometidas com o trabalho da oposição, entre elas, Drª Clara Cukierman que estagiava no escritório da Drª Gilda Graciano; o trabalho jurídico realizado pela Drª Gilda, foi decisivo para o êxito da chapa 2.
As condições para a militância sindical, na época, eram precárias, as dificuldades eram enormes, mas com que alegria eu fazia aquele trabalho. A convicção na justiça da causa, a necessidade de mudar todo aquele estado de coisas, e a certeza da vitória, nos davam ânimo para seguir em frente rumo ao objetivo a ser alcançado.
Enquanto oposição, passamos a ser referência para os trabalhadores rodoviários do ABC, e éramos também reconhecidos pelo movimento sindical.
Para levar sua mensagem até os trabalhadores rodoviários, foi criado um informativo que se chamava CHAPÉU DE BICO, escrito pelos membros da oposição e impresso nas gráficas dos sindicatos que nos apoiavam. O informativo oposicionista CHAPÉU DE BICO era lido, e suas orientações e informações tinham credibilidade na categoria.
Naquele tempo os trabalhadores rodoviários usavam uniformes, e fazia parte desse uniforme o “quepe” (uma espécie de boné), por esse motivo eram conhecidos e chamados de “chapéus de bico” todos os que trabalhavam com esse artefato na cabeça, vem daí o nome dado ao boletim informativo da Oposição Rodoviária do ABC. Quando os companheiros da chapa de oposição assumem a direção do sindicato (19 de junho de 1981), adotam de maneira oficial para o jornal da entidade, o nome “CHAPÉU DE BICO” que continua a ser usado até hoje.

O tempo passou, e as eleições foram finalmente convocadas pela junta governativa que dirigia o sindicato.
No processo de escolha para a composição da chapa sou indicado como segundo tesoureiro. Eu não me lembro de todos os companheiros que formaram na chapa, mas aqui estão alguns nomes:

DIRETORIA EXECUTIVA

Presidente——–Josias Adão
1º Secretário—–Oswaldo de Carvalho Cruz Júnior
2º Secretário—–Sérgio de Oliveira
1º Tesoureiro—-Aparecido Valério de Oliveira
2º Tesoureiro—-José Wagner Alves Teixeira

SUPLENTES DA EXECUTIVA

Antônio Marcos Andretta
Manobrinha
Luis Pedro
João Antônio dos Santos
Elias (Viação Barão de Mauá)

CONSELHO FISCAL

Luis Pedro dos Santos
Luis Adão de Moraes
Manuel de Lima

SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL

Francisco (Turismo Rodrigues)
Antônio (Turismo Pato Azul)

DELEGADOS NA FEDERAÇÃO

Pedro Jerônimo Neto
Precheca (Turismo Sabetur)

Com a chapa montada o grande desafio era manter seus integrantes no anonimato, pelo menos até seu registro. Alguns foram “descobertos” e demitidos de seus empregos. Por conta dessas demissões foi pedida a impugnação da chapa na DRT, não fosse a competência da Drª Gilda e eles teriam conseguido tirar a oposição da disputa.
Confirmado o registro da chapa 2, fomos à luta, agora mais do que antes porque a junta governativa, durante os meses que comandou o sindicato, havia conseguido simpatizantes entre os trabalhadores o que lhe colocava em condições de quase igualdade na disputa dos votos; é verdade que contavam também, com a simpatia e apoio patronal.
Com grandes dificuldades, já que apenas uma pequena parte de seus integrantes podiam efetivamente participar da campanha, a chapa 2 encabeçada pelo Oswaldo Cruz, com o apoio de grande parte do movimento sindical combativo, vencia as eleições para a diretoria do sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Anexos do ABCDMRP.
Eu não lembro exatamente o mês e os dias que aconteceram as eleições, mas lembro-me de que a posse dos novos eleitos se deu no dia 19 de junho de 1981. Enquanto esperávamos pela data da posse acontece um incidente que mudaria a composição inicial da chapa.
O presidente eleito, Oswaldo Cruz Júnior, declara, em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, que logo após tomar posse vai fazer uma auditoria nas contas da junta governativa, pois havia a suspeita de que o sindicato passava por grandes dificuldades financeiras, por má administração de seus interventores.
Os regulamentos da época mandavam a diretoria executiva da chapa eleita fazer uma reunião e confirmar ou não seu encabeçador antes da posse.
Preocupado com a declaração do Oswaldo o companheiro Josias, na reunião dos cinco membros da executiva em que se daria a confirmação do encabeçador, faz críticas ao companheiro presidente pela declaração dada ao jornal, dizendo que isso poderia fazer a DRT adiar a nossa posse já que ela, na condição de responsável pela indicação dos interventores, poderia chamar para si a responsabilidade fazendo a tal auditoria e nossa posse estaria adiada “sine die”.
Com base nessas declarações Josias questiona a capacidade do Oswaldo para conduzir os destinos do sindicato e propõe que a cabeça da chapa seja novamente discutida pelos companheiros da direção executiva.
A proposta foi colocada em discussão, Oswaldo não se defendeu e a diretoria executiva decidiu mudar o encabeçador colocando em seu lugar o companheiro Josias Adão ficando o Oswaldo com a primeira secretaria.
Penso que relembrar e reavaliar decisões equivocadas do passado seja um ato masoquista, mas reconheço que mudar a cabeça da chapa foi um grande erro. Cometido, é verdade, por conta da nossa falta de experiência.
A DRT não adiou nossa posse e sentindo-se traído, Oswaldo trabalhou durante todo o seu mandato para tirar o Josias da presidência.
Posse tomada, responsabilidade assumida, vamos aos problemas:
Diretoria assume no dia 19 de junho de 1981, dia 20 teria que pagar o vale dos funcionários e o cofre estava vazio, não havia dinheiro para fazer o pagamento.
Como superamos esse problema eu não me recordo, mas creio que conseguimos ajuda dos sindicatos que nos deram apoio durante a campanha.
Foi um primeiro ano muito difícil, tivemos greve dos funcionários do sindicato, nossas assembleias eram invadidas por elementos pagos pelos patrões, com a finalidade de impedir a aprovação de decisões, que facilitariam o trabalho dos diretores, as mensalidades dos sócios, que sempre foram descontadas compulsoriamente, deixaram de ser pagas ao sindicato.
Diante de tantas dificuldades, decidimos vender um imóvel de propriedade do sindicato e, com esse objetivo, convocamos uma assembleia que foi realizada em um sábado, na sede do sindicato na rua Dr. Luiz Pinto Fláquer.
Nesse dia homens, que se diziam trabalhadores rodoviários, invadiram a assembleia, impediram a aprovação da venda do imóvel e quebraram quase tudo, pouca coisa escapou.
Nesse dia, na mesma hora, eu estava realizando um ato público, em frente a igreja Matriz de São Bernardo do Campo, contra a dupla função realizada pelos motoristas, que eram obrigados a dirigir e cobrar as passagens. A volta dos cobradores foi um de nossos compromissos de campanha.
A partir desse dia, desse quebra-quebra, nós tivemos a verdadeira noção do que nos aguardava pela frente. Foram muitas assembleias que terminaram em pancadaria geral. Isso dificultava muito o nosso trabalho para organizar os trabalhadores. Os sindicatos amigos já não queriam mais emprestar seus salões para a realização de nossas assembleias.
Na condição de segundo tesoureiro, fui designado para ser o diretor responsável pela subsede de São Bernardo, e lá comecei a realizar um trabalho de base que iria nos ajudar muito em futuras assembleias.
A Viação Diadema era uma grande empresa de ônibus, nela trabalhavam uns 700 funcionários; com algum trabalho conseguimos sindicalizar a grande maioria.
Em uma empresa com tantos trabalhadores, o que mais havia eram problemas.
Trabalhadores sindicalizados e organizados; fomos à greve, foi uma das greves mais bonitas que eu organizei durante minha militância sindical.
Na madrugada de um determinado dia, trabalhadores da Viação Diadema cruzam os braços e se recusam a entrar para trabalhar. A polícia chega com suas viaturas e um militar, cuja patente eu não lembro, manda os funcionários entrarem para o trabalho, eu explico ao oficial o que se passava, usando o para-choque da viatura como um palanque, digo aos trabalhadores, que eles eram livres para decidirem se queriam entrar para o trabalho, ou ficarem parados até a solução de seus problemas; ninguém se moveu, o oficial presenciando a cena, nos desejou sorte e foi embora com seus soldados. Entramos, junto com uma comissão de trabalhadores, para negociar com os patrões. Foi uma grande vitória, porque além de solucionar os problemas que ocorriam com os trabalhadores na empresa, conquistamos em definitivo a confiança deles.
A partir dessa vitória, a história de nossas assembleias começaria a mudar.
Em certo ano teríamos que realizar uma assembleia para aprovar a pauta da campanha salarial, definida a data e o local, convocamos os trabalhadores a comparecerem.
O nosso companheiro Agenor Narciso, então presidente do sindicato dos químicos, nos cedeu o salão para a realização da assembleia.
Diretores preocupados; o medo é que fosse mais uma assembleia acabando em pancadaria.
Nessa assembleia nossa responsabilidade estaria aumentada, pois dela participaria nossa querida companheira advogada Gilda Graciano.
Na hora de se iniciarem os trabalhos da assembleia, começam a chegar os “bate paus” dos patrões, o clima vai ficando tenso; companheiro Josias chama a composição da mesa, e dá início aos trabalhos. Passado algum tempo começam a entrar no salão, trabalhadores da Viação Diadema, eram muitos, lotaram o salão. A assembleia transcorreu na mais absoluta calma, aprovamos o que queríamos, e muito mais.
Fim da assembleia, alguns “bate paus” dos patrões começam a fazer provocações e o “pau come”, aqueles que vieram para acabar com mais uma assembleia dos condutores, tomaram um “cacete” e nunca mais nos importunaram.
Apesar das dificuldades, conseguimos organizar os trabalhadores rodoviários, que passaram a ver em seu órgão de classe, um instrumento para lutar contra a exploração patronal.
Em 1982 o setor de fretamento, através de uma greve que durou três dias, conquista o melhor acordo coletivo feito até hoje pelos trabalhadores desse setor. Para se ter uma ideia do avanço conquistado; esse acordo garantia a estabilidade ao trabalhador, que levasse a empresa para a justiça pelo descumprimento de qualquer de suas cláusulas, essa estabilidade durava até a sentença transitar em julgado. Como a patrãozada era “useira e vezeira” em descumprir acordos, muitos trabalhadores garantiram seus empregos através dessa cláusula.
Com isso os companheiros do fretamento começaram a frequentar mais o sindicato, e suas assembleias. A única reivindicação que não se conquistou nessa greve foi a mudança da data base, que acontecia em novembro, e pleiteava-se sua mudança para maio.
Logo que assumimos a direção do sindicato, começamos a trabalhar para cumprir os compromissos assumidos durante a campanha. Um dos compromissos, que quase ninguém da categoria acreditava na sua conquista, foi a volta dos cobradores. É importante dizer que o movimento pela volta dos cobradores, começa exatamente no dia em que os marginais, a mando dos patrões, invadem a sede do sindicato e destroem quase tudo. Nesse dia enquanto o sindicato era quebrado, a mando dos patrões, nós iniciávamos através de um ato público, realizado nas escadarias da igreja Matriz de São Bernardo, a campanha pela volta dos cobradores. Durante o tempo que durou essa campanha, nós procuramos ajuda de todos os sindicatos da região, sociedades amigos de bairros, enfim, de todas as entidades compromissadas com a luta contra o desemprego.
Procurando algum respaldo jurídico para nos ajudar nessa luta, descobrimos que havia uma lei federal proibindo os ônibus municipais de operarem sem o cobrador. Passamos então a cobrar dos prefeitos uma decisão a respeito; agora estava nas mãos deles a volta dos cobradores, pelo menos nas linhas municipais. Havíamos decidido, por questões estratégicas, que o movimento pela volta dos cobradores, se daria a partir de São Bernardo que era governada pelo então prefeito, Tito Costa.
Em uma das reuniões realizada com o prefeito ele nos pediu um prazo, e lhe foi dado um prazo. Findo o prazo e nenhuma decisão tomada decidimos então realizar o dia do PASSE E NÃO PAGUE, em S. Bernardo. Em determinado dia, os diretores foram para os pontos finais dos ônibus, munidos de cadeados e começaram a travar as catracas, e os passageiros que já tinham sido previamente avisados do movimento, eram orientados a pularem a catraca, ou a descerem pela porta de trás do coletivo. Eu e o companheiro Josias ficamos encarregados de travar as catracas no ponto final da Viação ABC no Jardim Farina.
Realizamos esse trabalho até umas nove horas da manhã, quando fomos detidos pelos integrantes de uma viatura policial, e conduzidos até a delegacia do 1º Distrito Policial da cidade.
Lá chegando encontramos os chefes de algumas empresas, que se mostravam dispostos a fazer um acordo para por fim ao movimento.
Após uma reunião, realizada lá dentro da delegacia de polícia, chegamos a um acordo:
– As empresas se comprometiam a contratar cobradores a partir do dia 1º de abril de 1982.
Os termos desse acordo foram lavrados no verso do BO (boletim de ocorrência) feito por conta de minha detenção e do Josias.
Evidentemente que um acordo feito dentro de uma delegacia de polícia, estabelecendo que em 1º de abril começaria a contratação de cobradores, levantou uma certa dúvida, que foi resolvida com o cumprimento do acordo assinado pelos empresários, na data combinada.
Em uma época de grande desemprego na região, foram contratados perto de cinco mil trabalhadores, pelas empresas de ônibus. Os motoristas se livraram da dupla função, abriu-se mais um mercado de trabalho, e a direção do sindicato provou que com disposição, luta e alguma organização os trabalhadores poderiam ir muito mais longe.
E foi o que aconteceu, depois disso vieram o piso salarial para motoristas e cobradores, livre acesso dos diretores do sindicato às dependências das empresas, para a realização do trabalho sindical, participação do sindicato nas eleições das CIPAs, etc.
Depois de importantes conquistas para os trabalhadores, nosso sindicato passa a ser referência para os rodoviários do estado.
Participamos durante os três anos de mandato, de quase todos os movimentos que lutavam para fazer avançar as conquistas dos trabalhadores. Junto com esses movimentos, lutamos pela estabilidade no emprego, liberdade e autonomia sindical, salário desemprego, etc. Estávamos presentes nos congressos que precederam a criação da CUT. Os trabalhos no sindicato tomavam grande parte de meu tempo, mas em minhas “folgas” eu conseguia me ocupar com a tarefa de ajudar a organizar o PT, em meu bairro. Na garagem de minha casa, em Vila Ferrazópolis, funcionou um dos primeiros, senão o primeiro, núcleo de bairro do partido.
Com tanto trabalho o tempo passou rápido, e já era hora de organizar as eleições para a direção do sindicato, nosso mandato estava chegando ao fim.
Oswaldo Cruz já havia decidido que seria candidato à presidência, e para isso havia trabalhado durante todo o seu mandato. Na composição da chapa ofereceu-me a tesouraria; recusei a proposta, pois já havia me decidido a deixar a militância, por problemas pessoais que pensava, seriam agravados com a minha permanência no trabalho sindical. Dessa forma afastei-me das discussões para a composição da nova chapa e com isso Oswaldo se viu livre para compor uma chapa com companheiros simpáticos à ele. Ao Josias coube a vice-presidência.
Eleito presidente, Oswaldo não tardou a por em prática sua vingança contra o Josias. Logo no início do ano de 1985, eu não lembro exatamente qual o motivo alegado, Oswaldo chama uma assembleia, cujos participantes foram escolhidos a dedo, e aprova o retorno do Josias para a empresa em que ele trabalhava, Viação Diadema.
Compareço à essa assembleia e vou em defesa do companheiro Josias. De nada adiantaram meus argumentos, e naquela assembleia, Oswaldo aprova o retorno á empresa, como forma de “punição”,um dos mais honestos e íntegros, dirigente sindical que a categoria rodoviária do ABC conheceu, Josias Adão.
Oswaldo em sua sede de vingança contentou-se em, “apenas” devolvê-lo ao volante. O que mais me indignou naquilo tudo, foi a complacência com que as lideranças sindicais lidaram com o fato, foi como se nada tivesse acontecido. A CUT, já em atividade na época, sequer protestou em defesa do companheiro. Com o caminho livre, Oswaldo torna-se uma espécie de proprietário do sindicato, e o comanda com mão de ferro. Articulado com boa parte dos dirigentes da CUT, para evitar apoios a possíveis grupos de oposição, e já com a simpatia dos empresários, Oswaldo permanece à frente do SINTETRA até ser morto, em 06/01/1994 por um diretor com o qual tinha problemas pessoais.
Longe da direção sindical por seis anos, em 1990 organizo junto com o Josias um movimento de oposição aos diretores do SINTETRA. Conseguindo algum apoio financeiro, montamos uma chapa e a registramos, para disputar as eleições que seriam realizadas no começo daquele ano.
Apesar do Oswaldo já não gozar de muito prestígio no meio sindical cutista, a oposição não consegue apoio da CUT para enfrentá-lo na disputa eleitoral. Sem muita estrutura fomos para o embate; aí começou a acontecer aquilo, que eu chamaria de milagre:
1º- Conseguimos registrar a chapa.
2º- Saímos vivos e inteiros da apuração dos votos. Tudo sob os olhares complacentes de alguns dirigentes cutistas presentes.
A grande alegria desse processo foi ter derrotado o Oswaldo em São Bernardo e Diadema. Nessas cidades tivemos mais de 90% dos votos, e ganhamos também nas empresas do corredor do trólebus, por uma pequena margem, mas ganhamos. Provavelmente com um apoio mais significativo, nós o teríamos derrotado. Nessas eleições tivemos o apoio firme, decidido e solitário do companheiro José Carlos, ex-metalúrgico membro da comissão da Ford incansável militante da luta operária.
Terminado o movimento oposicionista em virtude da derrota sofrida, voltei para minha rotina de funcionário público, onde estou até hoje.”

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7 respostas para Depoimento de Wagner Teixeira sobre sua passagem pela direção do Sindicato dos Rodoviários do ABCDMRP entre 1981/1984.

  1. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Email enviado para Drª Gilda Graciano em 5 de julho de 2013 Wagner Teixeira.
    Cinco Anexos foram recebidos…

    Querida Gilda, recebi e li todos os anexos que você nos enviou.Eu e o Josias conversamos sobre o que escreveu.Durante a minha passagem pela direção do Sintetra 1981/1984, alguns acontecimentos ainda permanecem intactos em minha memória.Jamais esquecerei aquele sábado quando a sede do sindicato foi invadida pelos capangas dos patrões durante uma assembléia e destruíram quase tudo.A greve do fretamento, se não me engano em 1983, quando conquistamos a estabilidade ao trabalhador que acionasse o patrão por descumprimento do acordo coletivo.Aquela assembléia de aprovação da pauta da campanha salarial, acho que em 1982, do setor urbano, realizada no salão dos químicos do ABC onde, além de aprovarmos toda a pauta, demos um surra,literalmente falando, nos capangas enviados pelos patrões para acabar com nossa assembléia.O sucesso do movimento pela volta dos cobradores foi, para mim, o ponto mais alto de minha participação na luta sindical.Se a memória não me falha, esse movimento teve seu momento culminante com a operação passe e não pague realizada em meados do mês de março de 1982 cujo acordo foi assinado nas dependências do 1º distrito policial de São Bernardo do Campo.Os termos desse acordo foram escritos no verso do boletim de ocorrência que foi lavrado por ocasião da detenção minha e do Josias.Nesse acordo assinado pelos prepostos dos patrões ficou acertada a volta dos cobradores a partir do dia 1º de abril de 1982.Deu até para desconfiar da data, mas os patrões cumpriram com o acordo e perto de 4 mil trabalhadores tiveram seus empregos de volta. Com a liberdade e autonomia sindical conquistadas o sindicalismo mudou muito. Os sindicatos passaram não só a ser donos de seus destinos como também passaram a ter donos. Em algumas entidades sindicais seus estatutos se assemelham mais a um certificado de propriedade. O movimento sindical ainda combate o imposto sindical mas,hipocritamente, “aprovam” em assembléias fantasmas uma tal contribuição confederativa. Apalavra pelego perdeu seu significado dentro do movimento sindical e já não é mais usada, o que não quer dizer que não temos mais pelegos, penso que temos mais até do que nos anos da luta pela liberdade e autonomia sindical. Hoje chego a conclusão que o movimento sindical só se explica dentro do capitalismo e, nesse sentido, é um movimento pelego que, em tempos de “prosperidade” do capitalismo não consegue fazer avançar a consciência revolucionária dos trabalhadores que dizem representar. Termino perguntando quando teremos o prazer de sua visita para matarmos a saudade com um longo e afetuoso abraço? Quem sabe até uma reunião para falarmos dos tempos idos e trocarmos impressões sobre o que foi e o que está sendo? Espero mesmo que considere com muito carinho essa possibilidade.Fique com o nosso abraço e saiba que será sempre um grande prazer receber sua atenção através de seus escritos; que não são nada difíceis de ler.

  2. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Caro Wagner. bom dia . Suas informações são sempre bem vindas . Fico
    sabendo algumas coisas sobre o Brasil superficialmente.
    Estou remetendo a voce o artigo. enviado anteriormente ao Josias.
    Talvez voces jà conheçam a materia. Na duvida preferi remeter. Se nao
    me engano o Josias pode ler anexos se forem remetidos dentro de
    certas normas. Voce as conhece ?
    Quando falei sobre a interferencia da ditadura na vida sindical, nao
    sei se fui explicita, mas pretendia que voces se manifestassem
    dentre as diversas comissoes que tratam de trabalhadores. Enviei un
    convite de uma delas para participarem.
    Nao sei se a chamada Comissao da Verdade vem tratando também da
    interferencia da ditadura na vida civil. Sò consigo ler sobre
    torturas, assassinatos. Mas a ditadura violou também direitos na vida
    civil. Voces chegaram a conversar com o Valdo sobre isto?
    Reconheço a grande importancia da internet em nossas vidas. Se nao
    existisse certamente nao teria reatado contato com voces. Mas odeio
    o mau uso que fazem dela. Esses grandes capitalistas que se
    enriquecem, sob o manto de nos prestar serviços gratuitos, invadem
    criminosamente nossa privacidade. Vendem a altos preços todas
    informaçoes sobre os seus usuarios. Quem colocou meu nome no FACEBOOK
    foi uma sobrinha, declinando-me como amiga. E como eu nao dava a
    minima importancia e nao frequentava o meu espaço e raramente o dos
    outros “amigos”.( Muitos me sao totalmente desconhecidos) a FACEBOOK
    resolveu criminosamente colocar no meu espaço, baseada no meu acesso
    a diversos sitos , dados como se eu os tivesse escrito. Isto me faz
    ter conhecimento que a FACEBOOK nao tem somente acsso aquilo que é
    escrito no chamado “diario” de cada um, mas de tudo que fazemos via
    internet. E’ inacreditavel a desfaçatez, para dizer o minimo. Sempre
    procurei me comunicar com parentes e amigos através e-mail(s) nao via
    FAcebook.certa que estava preservando nossa privacidade. Ah ! DOCE
    ENGANO LEDO E CEGO ! como diria Camoes a quem aprendi a apreciar
    graças ao meu querido professor Geraldo de Literaura portuguesa do
    Cursinho Casteloes, preparatòrio para vestibular de Direito.
    Nao sei me movimentar dentro do site FACEBOOK. Voce quer me dar
    algumas dicas? Serà que descobrimos uma forma de despilà-la de sua
    capacidade de nos “fregar” como dizem os italianos.
    Ciao ! Abraço-os fraternalmente. GIlda

  3. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Drª Gilda, sobre as condições do programa, que faz a leitura dos Emails para o Josias, abrir os arquivos anexos eu não posso falar porque desconheço, mas creio que a ferramenta usada pelo computador do companheiro tenha lá suas limitações.Sobre a interferência da ditadura no movimento sindical eu nunca soube que havia alguma intenção, seja do governo ou mesmo das centrais, de se discutir e/ou investigar específicamente esse assunto.Gilda, quando eu me envolvi no movimento sindical senti muito mais a oposição patronal ao sindicato do que o da própria ditadura.Você, permita-me trata-la dessa forma, sabe o quanto nós sofriamos para organizar os trabalhadores rodoviários aqui no ABC. Os patrões desconheciam limites para tentar dificultar nosso trabalho.Boicotaram o pagamento das mensalidades dos sócios, trabalhadores a soldo dos patrões bagunçavam nossas assembléias, quebraram as instalações do sindicato; lá na Luiz Pinto Flaquer em S. André, lembra-se? É certo que contavam, para isso, com a leniência das “autoridades”mesmo assim eu não teria muito a relatar sobre isso se ouvido fosse em algum momento,tudo que soube à época foi por denúncia de companheiros que sofreram com violência da ditadura.Aquilo que realmente me espanta é perceber que após a conquista da liberdade e autonomia sindical a democracia sindical foi para o ralo. Hoje as centrais sindicais marcaram seus territórios e cada uma cuida do seu e ninguém invade o território do “outro”. Sob o manto protetor das centrais a que estão filiadas as diretorias sindicais se apossam das entidades e se perpetuam no poder e ai de quem se meter a fazer oposição.O movimento sindical “combativo” luta há anos pelo fim do imposto sindical, mas muitos sindicatos, para não dizer a maioria, fazem suas assembléias “democraticas” para impor aos trabalhadores de sua base, sócios ou não, a tal da “CONTRIBUIÇÃO CONFEDERATIVA”.Por sinal o fim do imposto sindical está longe de se concretizar, ainda tem muito sindicato cutista mamando em suas tetas.Sobre a internet e o facebook concordo com suas opiniões, mas creio que podemos fazer um bom uso dessa ferramenta sempre com muita discrição.Realmente a internet transformou o mundo em um verdadeiro big brother.Eu uso o facebook para saber dos amigos, fazer comentários sobre assuntos diversos. Não falo de minhas intimidades, raramente coloco fotos de pessoas, duvido de tudo que leio e/ou vejo.Para saber das notícias vou a sites com alguma credibilidade e a blogs de pessoas conhecidas e com tendência esquerdistas.Eu desconheço maneiras de se passar desapercebido pelos “espiões” da net. Conectados a rede estaremos sempre vigiados.
    Querida Gilda existe a perspectiva de vires ao Brasil, São Paulo especificamente, para que nós possamos vê-la em pessoa?Um forte abraço.Wagner Teixeira.

  4. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Gilda Graciano.

    Queridos companheiros, fiquei sabendo sò agora que o filme “Braços
    Cruzados. Maquinas Paradas” esta no youtube . Nao sei se voces jà
    conhecem . Encaminho no e-mail que me foi enviado pelos companheiros
    Valdo e Yara-Silvia. Nao sei se o Josias conseguirà tomar
    conhecimento. Diga qual o caminho a seguir para Josias conseguir ouvir
    pelo menos. Grata pela informaçao sobre os arquivos na Web. Abraço-os.
    Gilda
    P.S: Aos 50 minutos do filme, bato de frente contra a ditadura. A
    ditadura para mim vai dos militares do 1° escalao ao sindico de
    prédio. A ditadura libera aos donos de algum poder o arbitrio. Por
    isso, Caro Wagner, atençao quando voce diz que sentiu mais o arbitrio
    do patrao do que o da ditadura. O arbitrio do patrao
    tinha o beneplacido da ditadura. Quando o Tuma do DEOPS tem o
    desplante de telefonar ao seu Sindicato e intima-lo verbalmente , na
    pessoa do Oswaldo, na época me parece que era o presidente, a
    comparecer no DEOPS para uma audiencia, ou encontro (nao sei o nome
    que deram) com os patroes do setor e levar certos documentos, é
    assumir o conluio . O Osvaldo teria solicitado que o “convite” ou
    “convocaçao” (nao sei o nome dado) fosse feito por escrito. Sempre
    segundo o Oswaldo o tal convite, nunca veio. Certamente o dr. Tuma nao
    queria deixar provas dessa sua arbitrariedade fora de sua competencia.
    Como jà referi , Tuma em sua campanha eleitoral, citava as
    “conciliaçoes” que havia efetuado entre empregados e patroes. DIzia
    nao saber porque era solicitado para tal fim.
    Repito: como nao escolhi a clandestinidade, mas a açao aberta contra o
    arbitrio e baseada em principios democraticos, devia bater de frente
    contra a ditadura. Quando advogavamos as greves, apontadas como
    ilegais pela ditadura, respondiamos que a lei, ao regulamenta-las, na
    verdade as anulava. E se tidas por ilegais pela ditadura, eras JUSTAS
    para a sociedade civil . Ao advogado compete, como um dos seus
    mandamentos, ao se deparar entre A LEGALIDADE E A JUSTIÇA , DEVE
    ABANDONAR A LEI E SEGUIR CONVICTAMENTE O CAMINHO DA JUSTIÇA..Ninguém
    é elogiado por ser LEGALISTA, MAS POR SER JUSTO. Ciao ! Gilda

  5. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Wagner Teixeira.

    Minha querida Gilda, não se engane a meu respeito, fui e sempre serei opositor e militante determinado contra as ditaduras sejam de direita ou de esquerda.Quando disse que senti mais o arbítrio patronal do que o da ditadura me referi a ser preso ou torturado como muitos foram.Se chamado fosse para testemunhar ou mesmo narrar algum acontecimento nesse sentido não teria o que falar, portanto minha participação não seria produtiva Tinha consciência que todas as dificuldades impostas ao nosso trabalho sindical pelos patrões contava com o apoio das autoridades representantes dos ditadores.
    . Sobre ser intimado ou convidado a comparecer no DEOPS quando exerci meu mandato sindical eu não me recordo.Lembro-me que algumas vezes fui transportado contra minha vontade nos “chiqueirinhos” dos camburões da polícia e, a única vez em que se fez um boletim de ocorrência sobre isso foi quando o Josias e eu fomos detidos por causa da operação passe e não pague e no verso do BO foi lavrado o acordo (assinado pelos representantes patronais que compareceram ao 1º distrito policial onde nos encontrávamos) que determinava a volta dos cobradores em 1º de abril de 1982.Esse BO perambulava aqui por minha casa até a uns meses atrás e hoje não consigo encontrá-lo.Sobre a legalidade e a justiça concordo com o que você diz e lembro que alguém, há muitos séculos atrás disse “… a lei foi feita para o homem e não o homem para a lei…”.Querida companheira, espero que tenha conseguido esclarecer a minha posição quanto sobre ditadura e/ou ditadores.
    Fui ao You Tube compartilhei o filme Braços Cruzados.Máquinas Paradas. Confesso que não me lembrava mais dele apesar de tê-lo assistido por duas ou três vezes na época.Em um momento no filme (54:49 minutos) eu vi um rosto que me pareceu familiar, você poderia me confirmar se é o Santo Dias, aquele operário assassinado por um policial militar durante uma greve? Um enorme abraço. Wagner Teixeira.

    Wikipédia Morte de Santo Dias
    No primeiro dia da paralisação, 28 de outubro, as subsedes do Sindicato, abertas para abrigar os comandos de greve, foram invadidas pela Polícia Militar, que prendeu mais de 130 pessoas. Sem o apoio do sindicato e com a intensa repressão policial sobre sua ação, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro, sendo a Zona Sul a região de maior concentração da categoria. No dia 30, Santo Dias, como parte do comando de greve, saiu da Capela do Socorro, para engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvânia e discutir com os operários que entravam no turno das 14h00.
    Viaturas da PM chegam e Santo Dias tenta dialogar com os policiais para libertar companheiros presos. A polícia agiu com brutalidade e o PM Herculano Leonel atirou em Santo Dias pelas costas. Ele foi levado pelos policiais para o Pronto Socorro de Santo Amaro, mas já estava morto. O corpo de Santo Dias só não “desapareceu” por conta da coragem de Ana Maria, sua esposa. Ela entrou no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal, apesar de abalada emocionalmente e pressionada pelos policiais a descer, não cedeu.
    Divulgada a notícia de sua morte pelos vários meios de comunicação, seu corpo seguiu para o velório na Igreja da Consolação. No dia 31 de outubro, 30 mil pessoas saíram às ruas da Capital para acompanhar o enterro e protestar contra a morte do líder operário, pelo livre direito de associação sindical e de greve e contra a ditadura.

  6. José Wagner Alves Teixeira disse:

    Mais uma eleição com chapa única nos rodoviários do ABC e vai ter urnas nas empresas… PRÓXIMA ELEIÇÃO NO SINDICATO TEM CHAPA ÚNICA A eleição da nova diretoria que irá conduzir o Sindicato de 2014 a 2019 e que acontecerá nos dias 04, 05 e 06 de setembro próximo, será realizada com chapa única. O edital de convocação foi publicado na segunda, 05 de agosto, no jornal “Folha de São Paulo”. O prazo das inscrições das chapas interessadas em concorrer à eleição foi de cinco dias corridos, contados a partir da publicação do edital, mas nenhuma chapa, além da número 1, encabeçada pelo companheiro Chicão, se inscreveu para concorrer à eleição. Conforme o estatuto do Sindicato, a Federação indicou o companheiro Natalício Ferreira Alves (Presidente do Sindicato de Cargas Secas e Molhadas de São Paulo e Itapecerica da Serra e Secretário Adjunto da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado de São Paulo) como presidente do pleito eleitoral e os companheiros: Reginaldo Duarte Franco e Roque da Silva (Viação Guaianazes), Eraldo Heleno de Moura e Marcos Roberto Ferreira (Expresso Guarará) como assistentes.

  7. Jose Wagner Teixeira disse:

    Drª Gilda Graciano, bom dia!Há tempos sem notícias suas espero que estejas bem e que essa sua ausência não esteja se dando por razões de saúde, com tudo estou mesmo curioso por conhecer as razões que a obrigam a nos privar de notícias suas em tempos em que isso se faria de maneira fácil e instantânea.Uma das razões que me levam a lhe enviar essa ” missiva eletrônica” é,além da falta de notícias suas, um artigo que li no site do PHA escrito por Atilio A. Boron director del PLED, Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini (penso que seja argentino) e que vai colado logo abaixo desse Email.Como você poderá perceber ele fala da fundamental importância do Fidel Castro e Cuba na vitória dos negros lá em África e que a nossa imprensa direitista, golpista e americanizada faz questão de ignorar.Vou agora me tomar da pretensão de achar que gostarias de saber que eu e Josias estamos bem, descontando, é claro,os estragos que o esmeril do tempo tem nos provocado.Receba agora meu longo e fraterno abraço, que sua vida aconteça sempre segundo suas vontades.

    Wagner Teixeira. 08/12/2013.

    MANDELA Y FIDEL

    Por Atilio A. Boron *

    La muerte de Nelson Mandela precipitó una catarata de interpretaciones sobre su vida y su obra, todas las cuales lo presentan como un apóstol del pacifismo y una especie de Madre Teresa de Sudáfrica.

    Se trata de una imagen esencial y premeditadamente equivocada, que soslaya que luego de la matanza de Sharpeville, en 1960, el Congreso Nacional Africano (CNA) y su líder, precisamente Mandela, adoptan la vía armada y el sabotaje a empresas y proyectos de importancia económica, pero sin atentar contra vidas humanas.

    Mandela recorrió diversos países de Africa en busca de ayuda económica y militar para sostener esta nueva táctica de lucha. Cayó preso en 1962 y poco después se lo condenó a cadena perpetua, que lo mantendría relegado en una cárcel de máxima seguridad, en una celda de dos por dos metros, durante 25 años, salvo los dos últimos años en los cuales la formidable presión internacional para lograr su liberación mejoraron las condiciones de su detención.

    Mandela, por lo tanto, no fue un “adorador de la legalidad burguesa”, sino un extraordinario líder político cuya estrategia y tácticas de lucha fueron variando según cambiaban las condiciones bajo las cuales libraba sus batallas.

    Se dice que fue el hombre que acabó con el odioso “apartheid” sudafricano, lo cual es una verdad a medias. La otra mitad del mérito les corresponde a Fidel y la Revolución Cubana, que con su intervención en la guerra civil de Angola selló la suerte de los racistas al derrotar a las tropas de Zaire (hoy, República Democrática del Congo), del ejército sudafricano y de dos ejércitos mercenarios angoleños organizados, armados y financiados por EE.UU. a través de la CIA.

    Gracias a su heroica colaboración, en la cual una vez más se demostró el noble internacionalismo de la Revolución Cubana, se logró mantener la independencia de Angola, sentar las bases para la posterior emancipación de Namibia y disparar el tiro de gracia en contra del “apartheid” sudafricano. Por eso, enterado del resultado de la crucial batalla de Cuito Cuanavale, el 23 de marzo de 1988, Mandela escribió desde la cárcel que el desenlace de lo que se dio en llamar “la Stalingrado africana” fue “el punto de inflexión para la liberación de nuestro continente, y de mi pueblo, del flagelo del apartheid”.

    La derrota de los racistas y sus mentores estadounidenses asestó un golpe mortal a la ocupación sudafricana de Namibia y precipitó el inicio de las negociaciones con el CNA que, a poco andar, terminarían por demoler al régimen racista sudafricano, obra mancomunada de aquellos dos gigantescos estadistas y revolucionarios. Años más tarde, en la Conferencia de Solidaridad Cubana-Sudafricana de 1995 Mandela diría que “los cubanos vinieron a nuestra región como doctores, maestros, soldados, expertos agrícolas, pero nunca como colonizadores. Compartieron las mismas trincheras en la lucha contra el colonialismo, subdesarrollo y el “apartheid”… Jamás olvidaremos este incomparable ejemplo de desinteresado internacionalismo”. Es un buen recordatorio para quienes hablan de la “invasión” cubana a Angola.

    Cuba pagó un precio enorme por este noble acto de solidaridad internacional que, como lo recuerda Mandela, fue el punto de inflexión de la lucha contra el racismo en Africa. Entre 1975 y 1991, cerca de 450.000 hombres y mujeres de la isla pararon por Angola jugándose en ello su vida. Poco más de 2600 la perdieron luchando para derrotar el régimen racista de Pretoria y sus aliados. La muerte de ese extraordinario líder que fue Nelson Mandela es una excelente ocasión para rendir homenaje a su lucha y, también, al heroísmo internacionalista de Fidel y la Revolución Cubana.

    * Director del PLED, Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini.

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