Anísio Batista

“(…) vai ficar mais de I hora até porque tem bastante história, como a Bel acabou de colocar agora. Mas eu queria dar uma sugestão pra equipe que está fazendo isso aqui, o Valdo e equipe, pra não esquecer da Igreja na formação das lideranças, teve um papel importante, através da Pastoral, da JOC, da ACO, teve um papel fundamental nessa parte aí. (…) material didático, justamente, importante. Mas falando de S. Paulo um pouco da Oposição, eu trabalhei aqui na região de S. Bernardo, trabalhei na Willys, depois Ford, trabalhei na Villares, Equipamentos Villares, junto com meu companheiro Contreras, quando nós formamos… fizemos uma greve na Villares, Equipamentos Villares, em 77, depois trabalhei na Schuller.

Em 77, eu voltei pra S. Paulo porque o pessoal me arrastaram de volta pra S. Paulo para concorrer às eleições em 78 na Capital. Nós tínhamos um trabalho muito bem organizado na Capital: a Oposição Metalúrgica de S. Paulo. A Oposição Sindical Metalúrgica de S. Paulo era muito bem organizada em S. Paulo, todos os bairros, nas empresas, nas fábricas. Portanto, todo o trabalho que foi desenvolvido de 75 até 78 na Capital, um trabalho justamente contra o Joaquinzão pelegão mas contra a estrutura sindical do país. Nós não era oposição por ser oposição ao Joaquinzão, era a estrutura sindical que nós brigava pra derrubar a estrutura sindical do país também que hoje está … foi um trabalho que depois desembocou na CUT, no PT, esse negócio todo, não só São Paulo mas o todo movimento em geral no Brasil.

Então S. Paulo teve um peso fundamental das oposições sindicais em nível nacional que é onde nós fomos muitas vezes em outros Estados, mesmo no Estado de S. Paulo, esse negócio aí, outras categorias. Como a Bel colocou, na verdade, os sindicalistas mais avançados da época que era o ABC, que nós estava junto, concordava com isso, eles refutavam realmente a Oposição Sindical Metalúrgica de S. Paulo de S. Paulo. (…) Justamente, o Gilson era um dos poucos por exemplo que dava apoio pra gente, de S. Bernardo, ele era o único, na verdade. Até o Lula, Jacó Bittar… nós sentava, discutia realmente, então o pessoal: “não, vocês têm que entrar junto com o Joaquinzão”, mas não tinha espaço pra oposição pra quebrar o Joaquinzão em S. Paulo, não tinha.

Portanto, nas eleições de 78, nós ganhamos as eleições sindicais de 78, que eu encabeçava a chapa e o Santo Dias, nosso companheiro que morreu na greve de 79, Santo Dias, eu era o presidente e o Santo Dias era o vice, um aparato forte onde nós tinha o PC, o PC do B, a Igreja, todas as forças políticas na Capital, nós saímos numa chapa só. Então nós tivemos (…) espaço realmente. E nós tinha muitas comissões de fábrica clandestinas em S. Paulo que era desconhecido pelo movimento em nível nacional mas nós tinha uma organização perfeita, na verdade. Foi o que deu fôlego realmente pra nós também estar trabalhando nas greves, ganhamos as eleições em 78 e que foi anulada por fraude, na verdade, na época o Ministro era o Prieto, vocês se lembram muito bem dele, o Prieto, ele veio, e nós com a esperança que daqui a 15 dias tinha uma nova eleição, ele veio, empossou o Joaquinzão e falou o seguinte: “o que passou, passou, o Joaquinzão é o nosso presidente”. Ele disso isso com o braço quebrado, o Prieto veio empossar o Joaquinzão em S. Paulo, empossar o Joaquinzão. Aí nos metemos 3 mandados de segurança contra o Prieto, que era o Ministro do Trabalho, perdemos de todos a zero, não ganhamos um, não tivemos um voto, 3 mandados de segurança para não empossar o Joaquinzão que era irregular e o Procurador que estava fazendo a apuração das eleições anulou as eleições, nós provamos que tinha fraude nas eleições. Mas infelizmente a gente não conseguiu levar o Sindicato.

Mas nós sabia de antemão que o Sindicato de S. Paulo, Metalúrgicos da Capital, era o último a ser derrubado, como não foi derrubado ainda, nós já sabia disso, que todo o aparato nacional é reforço pra segurar realmente o Sindicato da Capital que é o maior da América Latina e está até hoje aí, realmente, infelizmente. Então S. Paulo teve uma contribuição muito grande na formação das oposições e quando começou ganhar os sindicatos, o apoio que nós demos, os Bancários, os Químicos, os Plásticos, Campinas, vários Sindicatos nos ajudamos.

A greve do ABC, São Paulo inteiro, os militantes apoiou a greve e fizemos um Fundo de Greve. Nós atuamos intensamente na greve do ABC, (…) segurou realmente também o ABC que foi o Comitê de Greve lá na Assembléia Legislativa que não pode esquecer do nosso companheiro Salvador, que era da FNT, que segurou realmente o Fundo de Greve, com toda a pressão, na verdade, e em S. Paulo foi feito um trabalho muito bonito em favor da greve do ABC na época, foi garantir os 41 dias de greve, ia alimento e mais alimento que nós conseguimos (…) Então é isso. Realmente São Paulo, a Oposição Sindical Metalúrgica de S. Paulo, que foi colocado muito bem pelo Valdo aqui, nós contribuímos com esse movimento muito bem (…).

Grêmio da Scania
São Bernardo do Campo
29 de março de 1998

(continuação)

Bom, eu me chamo Anísio Batista, em 78, já antes de 78, eu militei aqui em S. Bernardo, no Sindicato dos Metalúrgicos, trabalhei na Ford, trabalhei na Schuller, trabalhei na Villares, mas em 78 mesmo eu trabalhava na Toshiba em S. Paulo que era vizinha aqui com o ABC. E foi naquelas grandes greves que teve no ABC, depois foi a primeira fábrica também de S. Paulo que aderiu também às greves, daquelas grandes greves, que S. Paulo também aderiu logo após o ABC. Aquele período de luta pra nós sempre foi o período mais importante para o movimento sindical do país e também para os trabalhadores, foi uma época bem anteriormente que nós já tinha… os militantes tinham bastante consciência, tinham preparo, tantos Sindicatos por exemplo tinha a formação dos militantes, a Igreja tinha a formação das lideranças então nós tinha muitas lideranças importantes na época. Então por isso que eu acho que foi uma época muito importante, mesmo com as prisões das lideranças sindicais, esse negócio todo, então foi assim… e o pessoal não se amedrontou, na verdade, foi pra luta, teve muitas conquistas, principalmente as comissões de fábrica que anteriormente as comissões de fábrica era clandestina, que nós fazia, depois muitas empresas passou a aderir às comissões de fábrica, reconhecida pela patronal e o sindicato organizava isso. Então foi um período assim muito importante.

Olha, é um negócio assim bastante importante nós fazer um paralelo de 78 até hoje; então, em 78 nós tinha basicamente o regime militar que era bastante fechado, a gente não poderia estar reunindo grupo grande, mesmo assim a gente tinha muitas lideranças. Então até 80, 82, nós tivemos assim bastante lideranças expressivas do movimento, que teve uma participação bem ativa.

Agora, nós chegando em 88, agora neste momento, eu acho que nós estamos numa decadência muito grande, tanto das lideranças nossas, a maioria por exemplo que realmente está desempregado, está fora das fábricas, fora da atividade, muita gente ambulante, com mil problemas, então nós temos essas dificuldades, Agora, a questão do movimento em si, de 78 a 98, por exemplo, tem um descrédito também hoje por exemplo tanto das lideranças como dos trabalhadores em geral que não acredita mais nos sindicatos, não acredita nas centrais sindicais. Então nós estamos numa certa decadência, eu acho. Então, precisaria a gente rever as nossas lutas do passado e estar retomando de novo, com garra, os trabalhadores, os sindicatos, as centrais sindicais, por exemplo, a gente retomar aquelas conquistas. Está tanto em baixa o movimento sindical hoje que várias conquistas por exemplo do passado e que nós conseguimos, nós estamos perdendo todas elas nas votações por exemplo do Congresso Nacional, principalmente a última agora que foi a aposentadoria dos trabalhadores. Então, (…) a pressão realmente ela está sendo muito… não digo pequena, muito tímida, nós teríamos que fazer uma pressão de uma greve geral realmente em nível nacional, parar o Brasil inteiro, pra mostrar que os trabalhadores realmente estão descontentes com a situação de hoje aí. Então eu vejo o movimento sindical e o movimento dos trabalhadores no geral, nós estamos em decadência na verdade. É um problema sério, nós os trabalhadores por exemplo, o Fernando Henrique, a primeira vez que ele se candidatou a senador, ele teve o apoio maciço na verdade do Sindicato do ABC e também da Oposição Sindical de S. Paulo, nós acreditava na ideologia, no que ele escrevia, no que ele falava, a questão política. E é estranho pra nós, logo em seguida que ele foi eleito senador, a gente viu que o Fernando Henrique já ia ser mais um traidor da classe trabalhadora, realmente mostrou, agora como presidente, demonstrou realmente que está sendo o maior traidor da classe trabalhadora, pior do que os nossos presidentes da época da repressão, do regime militar. O regime militar ainda respeitou as leis trabalhistas e ele, como sociólogo por exemplo que estudou realmente a vida do trabalhador, foi o maior traidor nosso no Brasil e está sendo e vai ser, se por acaso ele ganhar mais quatro anos, que espero que o nosso povo tenha uma certa consciência de nós não eleger mais o Fernando Henrique.

Eu queria só colocar uma coisa importante, antes da greve do ABC também que começou aquela… em 78, o avanço do sindicalismo nacional, depois a… na época da repressão ainda, seria bom salientar por exemplo que mesmo em S. Paulo, mesmo em 68 até 70, 70 e poucos, por exemplo, nós tivemos a formação das Oposições Sindicais na capital que era contra o Joaquinzão, o pelego Joaquinzão na verdade na época, por exemplo, e nós tivemos muitas greves importantes e muitas lideranças expressivas de S. Paulo depois passou a trabalhar em S. Bernardo. Então nós tivemos muitas lutas, por exemplo, a Villares em S. Paulo, a greve, se não me engano, foi em 73, a greve da Villares de S. Caetano, nós tivemos a Larsen (?), por exemplo, uma greve importante que teve na Larsen, então nós tivemos lutas também expressivas em S. Paulo só que os jornais da época não dava, a televisão não dava que não era pra alardear realmente o movimento, mas nós tivemos realmente…

Então eu achava importante que mesmo nesse livro que nós vamos constar aí, os 20 anos de luta, eu gostaria que fosse acrescentado algo anteriormente, um pouquinho do movimento dos trabalhadores, do movimento sindical realmente passando por S. Paulo algumas questões que eu acho muito importante. Também… muitas… além disso, fora de S. Paulo, se viu muitas lutas expressivas, no caso da Perus, Cimento Perus, nós tivemos bastante coisas muito importantes. E ultimamente agora mais recente que eu sinto, além da maioria dos trabalhadores, por exemplo, militantes estar desempregado, que também o patronal realmente é a lista negra na verdade que além do desemprego você não consegue arrumar serviço hoje. E a modernização mundial, realmente a globalização, isso veio realmente pra… até nossas profissões hoje são diferentes, você tem que ter novos estudos, realmente são diferenciados. Então nós temos que rever todas essas questões e nós começar um novo sindicalismo nacional, um novo patamar, uma nova formação e também passando realmente pelas direções sindicais que eu acho que mesmo a CUT está deixando muito a desejar também.

Grêmio da Scania
São Bernardo do Campo
29 de março de 1998

(continuação)

Eu acho o seguinte, eu acho que hoje se nós basear por exemplo a liderança que o Lula tinha em 78 até 81, das greves que ele conduziu que foi importante e continuam sendo importante pra nosso quadro nacional, até pela nossa história, eu acho que hoje o Lula está bem afastado do quadro sindical, do quadro político, da base do trabalhador, e o Lula basicamente nesse ponto ele se elitizou bastante, elitizou tanto por exemplo que as decisões do Partido também em nível sindical, ele é muito precário em nível do PT. Então eu acharia que o Lula hoje não tomaria uma decisão dessa, ele ficava por detrás, mandava o Vicentinho tomar essa decisão porque ele tem influência, ele tem influência realmente no Vicentinho. Então eu acho que é uma outra conjuntura, na verdade. Então é difícil nós imaginar, por exemplo, que as coisas seria a mesma coisa de 78 até 81, nesse caso aí. Mas as negociações, mesmo partidária, que nós podia estar entrando nessa discussão, aí é outra história que eu não queria começar um debate desse.

Eu acho que o PT avançou muito em relação ao movimento sindical, popular, os movimentos em geral, mas hoje por exemplo ele retroagiu e um monte de história nossa por exemplo que seria importante a condução do PT em nível nacional. Então deixa um pouco a desejar hoje até o Partido dos Trabalhadores nesse campo, no caso aí. Mas, sei lá eu, é uma coisa pra nós começar a avaliar e discutir. Então Lula eu acharia que deixaria a bomba pra CUT, teria influência por detrás pra ver a condução da coisa aí. Mas o Vicentinho eu acharia que não tomaria posição numa coisa mais radical nesse momento, até porque quando o Vicentinho negociou com o Fernando Henrique, aí ficou muito complicado pro Vicentinho e até o movimento sindical realmente tem crítica ao Vicentinho pra essas questões em nível nacional de ele assumir algumas coisas com o Governo. Quer dizer, negociou com o governo, se lascou, não aconteceu nada e a CUT hoje está parada, não fazendo nada nessa questão em nível nacional.

Eu queria colocar uma questão que o Valdo começou, a questão quando o Valdo colocou do Joaquinzão. Em S. Paulo, por ser o polo político do Brasil e o polo sindical e mesmo com as oposições sindicais, ela veio trabalhando desde o golpe militar ferrenhamente e a partir de 67 das oposições sindicais, São Paulo antigamente era a chapa verde, depois veio por número, chapa, esse negócio todo aí mas me surpreendeu quando o Valdo me colocou uma coisa, queria começar por aí.

Quando o Valdo disse por exemplo que o Joaquinzão rodou os boletins, que o pessoal de S. Bernardo ia buscar, esse negócio todo, me veio na mente o seguinte. Na nossa mente em S. Paulo da oposição sindical nós sempre achamos que tinha um acordo entre Lula e Joaquinzão para que o Sindicato de S. Paulo continuasse na mão do Joaquinzão e o ABC continuasse na mão do Lula. Por que que eu digo isso? Porque (é) a experiência própria. Quer dizer, muitas vezes quando nós íamos pedir apoio pra S. Bernardo, aqui pra Campinas pro Jacó, outros sindicatos mais combativos, a gente nunca teve apoio, aliás, ao contrário, o pessoal era contra as oposições sindicais, a primeira história era essa. E não era só o Lula, não, era todo o mundo na verdade. Por que que o pessoal dizia isso? Perante a história de S. Bernardo, que o Lula pegou o Sindicato do Vidal como o Valdo colocou, todo o mundo achava que S. Paulo era igual ao Vidal de S. Bernardo, era igual a Campinas, era igual a qualquer sindicatinho e na nossa avaliação de S. Paulo, da Oposição Sindical, nós sempre avaliamos que o último sindicato do Brasil a cair realmente era a Capital, os metalúrgicos ser o maior Sindicato do Brasil, por exemplo, com potencial político muito grande. Isso veio confirmar agora na fala do Valdo, depois quero que o Valdo até retome um pouco mais, quando o Joaquinzão cedeu isso por exemplo de rodar esse material por exemplo pra S. Bernardo algo tinha de apoio no meio de S. Bernardo e de S.Paulo porque senão não teria feito.

Quando mesmo na mesma época que o Valdo coloca da Oposição Sindical em 78, quando eu encabecei a chapa de oposição de S. Paulo, e o vice era o Santo Dias, nosso companheiro que morreu na greve de 79, por exemplo, foi duro de a gente pegar um apoio de S. Bernardo do Campo, do pessoal. Mas mesmo assim deram um apoio muito restrito, muito de boca, pra trazer o Lula na porta de uma fábrica foi difícil ,pra dar o apoio pra S. Paulo foi difícil. Então, veio confirmar há alguma coisa aí nesse meio aí. E sempre parece que transpareceu isso. Então, em cima disso que a Oposição Sindical por exemplo no crescimento dela, que ela deu um pontapé assim muito grande de apoio, de orientação em nível nacional, inclusive mesmo a entrevista que o Durval gravou ainda de pouco agora teve muito a ver com a nossa força política de S. Paulo a Campinas. Eu quando era da Pastoral Operária, do movimento sindical de S. Paulo, da oposição sindical, eu vinha a Campinas formar a oposição sindical, o Valdemar Rossi, que vai ser entrevistado por exemplo, é outro companheiro que veio muitas reuniões aqui fazer, dar a experiência nossa da Capital pra ganhar esse Sindicato aqui dos Metalúrgicos de Campinas, pra derrubar o Cid aqui, a primeira não foi possível, a segunda foi possível. Então, S. Paulo teve assim uma história fundamental em nível nacional quando o primeiro sindicato de S. Paulo que nós conseguimos ganhar foi os Químicos, depois veio os Bancários, o Metroviários já tinha sido formado pela Associação que não foi passado pelos pelegos e outros sindicatos. Eu me lembro quantas vezes eu fui a Recife discutir a formação da oposição metalúrgica do Recife e em nível nacional no Pará mesmo os trabalhadores sem terra, os sindicatos rurais que nós fomos trabalhar em nível nacional e o material nosso, o material da oposição sindical quando tinha os bonequinhos, os hominhos, por exemplo, que era o nosso logotipo, nós mandava isso em nível nacional, do sul. Rio Grande do Sul, quantas vezes nós foi no sul discutir a formação das oposições sindicais no sul, Santa Catarina e aí por diante.

Agora, nós deve dar a mão à palmatória também, em cima disso também, por exemplo, o movimento de igreja, que na época foi fundamental a nossa penetração. Através aí também da Pastoral Operária, o movimento de igreja, foi possível também a gente fazer tudo isso.

Agora eu quero voltar um pouco também às nossas lutas em S. Paulo, antes de 78. Se nós pegar o avanço da Villares, vamos pegar o Manezinho de S. Caetano do Sul, não sei se vocês lembram do Manezinho que foi uma greve que teve em 73, no começo um pouco parecido aí da Aços Villares de S. Bernardo, de S. Caetano aliás, eu trabalhava na Villares em S. Paulo, na Elevadores, e onde foi feita uma pequena greve que deu uma repercussão muito grande e através dessa pequena greve, por exemplo, nós deflagramos uma greve muito grande em S. Paulo na fábrica de elevadores onde a gente trabalhava muito tempo e nós estava trabalhando uma comissão de fábrica clandestina preparando os trabalhadores a assumir uma postura realmente. E na época a Villares era um pouco liberal, nós tinha até uma certa acesso de trabalhar, esse negócio todo aí. Em 73, por exemplo, foi feito uma semana de greve na Villares que nós protestava contra o aumento, que na época era o Delfim Neto, por exemplo, que falou que era 18% e a inflação era 30% ou 33% de perda que nós tinha na verdade, então foi muito isso. Desencadeou uma série de pequenas greves, a Larsen, outras empresas que eu não lembro de nome agora que o Valdemar pode reforçar isso na entrevista dele, por exemplo, que foi muito importante. Que aí, por exemplo, quando calhou, por exemplo, dos avanços de S. Paulo, da oposição sindical de S. Paulo, que tinha uma estrutura muito bem montada, muito bem preparado, nós tinha basicamente um sindicato clandestino na capital, formado com a liderança e com a capacidade de fazer qualquer greve a qualquer momento só que nós nunca queria aparecer, nas épocas que tinha possibilidade de fazer a greve, se fazia, o pessoal apoiava, esse negócio todo aí. Quantas comissões de fábrica clandestinas nós tivemos em S. Paulo antes de S. Bernardo do Campo! Muitas, muitas, eu posso citar várias das empresas que eu trabalhei antes de 78: Villares, Caterpillar, mesmo a Toshiba em 78 quando estourou todas as greves na Toshiba, eu trabalhava na Toshiba do Brasil, que hoje ela está em S. Bernardo mas na época estava em S. Paulo e a primeira greve que desencadeou fora S. Bernardo, na Capital, foi a greve da Toshiba onde eu estava encabeçando a chapa dos metalúrgicos em S. Paulo, eu e o Santo Dias, que nós fizemos uma greve e coordenamos a greve e foi negociada sem o Sindicato. E o trabalho da oposição sindical de S. Paulo que nós orientava na verdade na época era o trabalho da comissão de fábrica clandestina mas em termos de negociação sem o nosso Sindicato que vendia os trabalhadores. E isso nós tivemos sucesso em muitas empresas. Outras, na verdade, o Sindicato entregou as lideranças, o pessoal foi mandado embora, como eu, umas empresas por exemplo, que além do peleguismo era entreguista na verdade, então nós perdemos muitos companheiros nessa luta aí.

Mas através disso por exemplo quando surgiu a greve do ABC em 78 que nós tinha ganhado o Sindicato de S. Paulo, da oposição sindical, quando o Procurador anulou as eleições sindicais por fraude que nós constatamos e provamos realmente e que nos achava que ganhamos o Sindicato em S.Paulo aí veio o Ministro do Trabalho, o Arnaldo Prieto, empossou o Joaquinzão e disse: “o que passou, passou, meus amigos, e ai o Joaquim é o que representa os metalúrgicos de S. Paulo”.

Então aí foi duro pra nós porque logo em seguida começou as greves. Quando começou as grandes greves do ABC que foi fundamental e que nós sempre apoiamos, uma coisa fundamental que talvez o ABC não saiba disso, quem manteu a greve dos 40 dias em S. Bernardo do Campo foi a Capital, foi o movimento da oposiçõa sindical, foi o movimento de Igreja, foi nós que bancamos todos os piquetes das empresas, da Mercedes, Ford, Scania, nos pontos que saía os ônibus, nós se organizamos em cima disso na Capital, e os ônibus não saía, ia só os Ônibus mas parava os trabalhadores. Isto nós fizemos em S. Paulo em tudo quanto foi canto. Por que isso? Porque nós tinha a liderança, por exemplo, na Capital, e aqui pra nós o fundamental disso tudo, entre S. Bernardo e S. Paulo, podemos dizer com todas as qualidades, o frei Beto teve essa importância nesse meio, ele que realmente fazia toda essa ponte, organizava a Igreja em S. Paulo, as oposições sindicais, e o frei Beto teve uma participação excelente em cima disso aí. Então foi fundamental isso, por exemplo, lógico que algumas coisas que o Valdo colocou, que nós também temos assim bastante restrições a algumas coisas, alguns pontos na verdade. E nós por exemplo teve uma das assembléias na Vila Euclides, que nós participava diretamente nas da Vila Euclides que o Lula cedeu, que eu não me lembro agora de cabeça, numas coisas lá e nós achava que o Lula tinha avançado, que na época se o Lula avança mais, conforme tinha uma assessoria muito boa ao lado do Lula, então era fundamental pro avanço pra ir, realmente pra arrebentar na época por exemplo e mudar uma situação. E a gente acabou não mudando aquilo que nós também pretendia na época, na verdade.

Mas. de qualquer forma, eu acho que S. Paulo, a Oposição Sindical Metalúrgica de S. Paulo, marcou um marco em nível nacional. Eu me lembro por exemplo quando eu trabalhava na, eu saí da capital, trabalhava na Villares em S. Bernardo do Campo, eu trabalhei nas duas Villares, por exemplo, o Alemão, o Osmarzinho, todo o pessoal que trabalhava na capital e que era oposição ao Joaquinzão, nós se encontramos no ABC e fazia o trabalho grande no ABC. Eu me lembro que numa das grandes assembléias do Sindicato dos Metalúrgicos e foi uma assembléia com mais de 5 mil trabalhadores, que foi um sucesso, em 76, onde nós planejamos esse grupo, de fazer um trabalho nas portas de fábrica, as comissões de fábrica, e nós colocamos isso em assembléia, tanto eu como Alemãozinho e como Osmarzinho e o Djalma subiu na tribuna e encampou todas as propostas nossas naquela assembléia histórica na verdade. E aí eu acho que foi um sucesso S. Bernardo do Campo daí pra cá naquela grande assembléia de 5 mil metalúrgicos participando, aquele clima de euforia, que nós fomos pras portas de fábrica do ABC, por exemplo, S. Bernardo principalmente sindicalizar o pessoal, fazer as comissões de fábrica, quer dizer, foi um avanço muito grande, que nós tinha um sonho na capital mas não conseguia fazer pelo peleguismo. O Lula vinha desabrochando nessa época, ele vinha sinalizando que ele tinha, estava de presidente no primeiro ano se não me engano, que ele vinha sinalizando um trabalho avançado, esse negócio aí. Mas o Lula também só foi possível avançar também com uma assessoria do frei Beto, depois o Valdo, o pessoal que deu uma força muito grande. Isso foi o fundamental.

Mas eu acho por exemplo que S. Paulo tem uma história assim pra ajudar a restaurar a nossa luta dos trabalhadores por exemplo, em nível de S. Paulo, do Grande ABC, em nível nacional, a nossa história que realmente é muito importante, que tinha por exemplo que entrevistar mais muito companheiros, tem o Valdemar Rossi, o Neto, mesmo o Carlúcio, outros companheiros, que é fundamental.

Então, não sei se o Valdo podia colocar um pouquinho anteriormente essa questão do Joaquinzão. Quando o Valdo colocou, me grilou realmente. Então, aí a nossa meta era aquilo e na teoria do Valdo ficou claro pra mim que realmente existia isso. Tinha algum acordo realmente em cima que S. Paulo tinha que manter com o Joaquinzão e o ABC manter realmente com o Lula.

Interessante você colocar isso, Valdo, que é o seguinte, por exemplo, na formação da CUT que foi a primeira, a primeira reunião de João Monlevade, que eu sempre tive uma participação ativa na formação da CUT, que foi convidado todas as lideranças a nível nacional, pra formação da CUT, e a primeira reunião eu fui convidado pela oposição sindical de S. Paulo. Por que que eu fui convidado? Porque eu participava do movimento da Igreja e então eu era um pouco mais maleável na discussão, não é que acatava, você sentia mas discutia, o pessoal era um pouco mais radical contra S. Bernardo então não tinha o convite para esse pessoal, então eu fui o único a ser convidado a primeira reunião em João Monlevade na formação da CUT. E vice-versa, veio a primeira reunião de João Monlevade e lá nessa reunião as lideranças da Igreja, do movimento sindical, do movimento popular que teve presente, nós questionava o apoio dessa primeira reunião da formação da CUT a favor das oposições sindicais.
E nessa reunião, vocês podem imaginar, foi nessa primeira reunião nacional da formação da CUT, quando o Jacó se declarou nessa primeira vez a favor das oposições sindicais, o Lula por exemplo, o Gilson, que hoje é prefeito de Diadema, ele sempre foi favorável às oposições sindicais, quando ele estava no Sindicato de S. Bernardo, o único que se declarava imediatamente assim. O Lula como era o presidente ele fazia aquele jogo de cintura, apoiava, não apoiava, era Joaquinzão, aquela história toda, então era complicada a situação aí.

Então, mesmo na formação da CUT que a gente estava colocando nós tivemos assim bastante divergência. O Olívio Dutra, o Olívio Dutra pra aceitar a formação das oposições sindicais no Brasil foi muito difícil, muito difícil. Então, nessa reunião foi que nós conseguimos passar pra existir uma central sindical tinha que existir as oposições sindicais pra derrubar o peleguismo nacional, pra formar justamente a central sindical. Só aí que o pessoal mais avançado começou a entender a importância da formação das oposições sindicais no Brasil. Foi aí. Portanto, que na época quem estava participando da formação da CUT era o Arnaldo, Hugo Perez, outro pessoal que era mais ou menos do peleguismo mas era intermediário que achava que nós podia ganhar esse pessoal, que na Conclat esse pessoal foi tudo por água abaixo. Foi onde que a CUT teve sucesso nessa reunião de começar a apoiar as oposições sindicais e dar uma força maior às oposições sindicais. Só que nós conseguimos força para as oposições sindicais em nível de Campinas, em nível de Sorocaba, em nível de sua cidade, em nível de categoria mais baixa, menos na Capital, menos na Capital; até hoje nós não conseguimos realmente ter um apoio total da CUT no Sindicato Metalúrgicos de S. Paulo, até hoje! Até hoje. E o Valdo sabe disso porque esteve mais presente em cima disso.”

Campinas
20 de abril de 1998

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2 respostas para Anísio Batista

  1. raniel santos ferreira disse:

    O candidato a deputado estadual raniel ferreira com dobradinha com anizio batista ,vem comunicar que apartir do dia 28 de agosto estara disponivel para fazer panfletagem nas portas das fabrica de sao bernardo e diadema.

    • Valdo e Yara disse:

      Raniel e Anísio:

      “CHEGA DE VOTO!”
      Perder tempo, torrar grana, legitimar a já podre República e, por cima de tudo, não ser eleito, é um caminho inglório para militantes de esquerda.

      “CHEGA DE VOTO!” – esta é a posição cada vez mais clara da multidão. (Leia o texto completo neste site).

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