História de Diadema em imagens

São 6.000 páginas históricas, digitalizadas em alta resolução (300 dpi), em cores, formatos TIFF e JPEG.

Flor Diadema
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A República está podre!

Brasil 2018: enterro do PT, de todos os partidos e do voto obrigatório

Pré-visão …

1. o PT está morto já faz tempo;
2. Lula agoniza e está a caminho do seu funeral político;
3. o que será do PT no futuro? absolutamente nada de expressivo. certamente enterrado a 7 palmos… motivo: por sua própria opção, isto é, optou pela aliança de classes. foi cooptado. aceitou a cooptação. entrou na onda da corrupção.numa palavra bem franca e popular: historicamente “sifu”.
4. chega de voto! a república está podre em seu tripé “executivo-legislativo-judiciário”. como diz o poema “Chega de voto”:
“já faz tempo
que eu noto
que o povo esta cheio e já fala sem receio:
chega de voto!”
5. a multidão avança por novos caminhos …e o poema “Chega de voto”, gestado no final do século 20, já desenhava o seguinte cenário:
“encontrar um outro jeito
onde o povo seja sujeito
é isso que deve ser
construído
é isso que deve ser feito”.
Nota: por ora, apenas este roteiro polêmico. aguarde o recheio que vai ser mais amigável ou amargável. livre para usar, abusar, xerocar, multiplicar, mutilar, contestar, comentar, xingar, concordar, discordar, rasgar, jogar no lixo, guardar, aguardar para provar ou reprovar…
brasil-26 de junho 2017. valdoyara.

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Fio da meada – Memória do Grande ABC

SESC Santo André
http://www.sescsp.org.br/sesc/programa_new/mostra_detalhe.cfm?programacao_id=241488

Dia 16/04/13
Terça, às 15h.
Convidados:
Raquel Quintino, Adalberto Dias Almeida, Valderi Ruviaro (Valdo) e Ademir Médici

Memorialistas e agentes culturais regionais conversam com o público sobre memória afetiva e história oral do Grande ABC. No Palco da Lanchonete.

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Depoimento de Wagner Teixeira sobre sua passagem pela direção do Sindicato dos Rodoviários do ABCDMRP entre 1981/1984.

“No início de 1980, enquanto dirigia um ônibus da empresa Trans-Bus, que fazia a linha São Bernardo do Campo / Estação de São Caetano do Sul, um passageiro fez sinal para que eu parasse e, ao invés de subir pela porta traseira do coletivo, como mandava o regulamento, veio até a janela lateral do motorista e entregou-me uma filipeta, nessa filipeta havia o convite para que os trabalhadores rodoviários do ABC, comparecessem a uma reunião com as lideranças do movimento de oposição ao sindicato, que seria realizada no centro de Santo André na Rua 11 de Junho às 15 horas, o dia eu não lembro, além do convite a filipeta falava da necessidade da união dos rodoviários, para tirar da direção do sindicato os pelegos que estavam a serviço dos interesses patronais e, dessa forma, impediam a organização dos trabalhadores, para lutar contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho da categoria.
Em 1978, quando aconteceu o movimento grevista dos motoristas, eu trabalhava na Caixa Econômica de São Paulo e acompanhei o movimento pelo noticiário.
Movido mais pela curiosidade do que por qualquer outra coisa, compareci ao local da reunião, lá chegando estranhei a falta de gente no local e pensei ter chegado muito cedo,
achei também esquisita uma reunião sindical em um bar; passado algum tempo chegam ao local uns camaradas que eu nunca havia visto antes, eram as lideranças do movimento de oposição rodoviária do ABCDMRP. Feitas as devidas apresentações constatei que, da chamada base, somente eu comparecera à reunião. Dos participantes da reunião lembro-me hoje de apenas duas pessoas, Josias Adão e Rubens do Carmo Alves. Informaram-me que eram candidatos da chapa 2 de oposição e que disputariam a eleição para a direção do sindicato. Rubens do Carmo Alves era o encabeçador da chapa.
O Rubens eu já conhecia, ele havia sido meu chefe em uma das empresas em que trabalhei, éramos motoristas nessa empresa e ele foi promovido a chefe por ser um bom profissional, essa condição, no entanto, durou pouco e ele acabou por voltar a dirigir ônibus.
Fiquei sabendo que a chapa já estava registrada, e que precisavam muito de apoiadores que os ajudassem durante o processo eleitoral, já que não seria nada fácil derrotar os candidatos da situação, pois eles contavam com o apoio patronal e da DRT (Delegacia Regional do Trabalho), órgão do governo ao qual estavam subordinados todos os sindicatos da época.
Foi a partir dessa reunião que eu passei a ser um apoiador, um tanto quanto anônimo, da chapa 2 de oposição dos rodoviários do ABC.
As reuniões da chapa 2 aconteciam em um salão cedido pela APEOESP que se localizava na Rua Siqueira Campos, próximo ao Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André. Nesse local, participei da reunião onde os participantes foram informados de que as eleições não haviam atingido o quorum, para a contagem dos votos e, por essa razão os destinos do sindicato seriam definidos pela DRT.
Como bem relata em seu depoimento o companheiro Josias Adão, a pelegada inchou a lista de votantes para dificultar a obtenção do quorum, e sendo a terceira e última eleição, foi decretada a vacância na direção do sindicato e a DRT nomeou uma junta governativa composta por três membros, todos motoristas, provavelmente indicados pelo patronato, e que permaneceram à frente da entidade por um ano.
A chapa 2 ,encabeçada por Rubens do Carmo Alves (já falecido) , derrotada pela falta de quorum nas eleições de 1980, cumpriu, em minha avaliação, papel decisivo para tirar os pelegos da direção sindical rodoviária. Apesar de derrotada pelas manobras dos pelegos, foi a chapa 2 de 1980, quem mostrou aos trabalhadores rodoviários, que era possível tirar da direção de seu sindicato a pelegada, e colocar lá trabalhadores comprometidos com os verdadeiros interesses da categoria.
Fim de reunião, ânimos no chão pelas perspectivas que se apresentavam, só restava juntar os cacos e recomeçar.
Do trabalho de reorganizar a oposição Rubens do Carmo não mais participou, voluntariamente afastou-se do movimento que ajudou a criar.
Fundamental no processo de reorganização da oposição foi o apoio recebido dos sindicatos e entidades como, APEOESP, Convergência Socialista, FASE, igreja católica e os militantes vindos das organizações de esquerda, que atuavam ainda na clandestinidade.
No processo de reorganização da oposição participo de cara limpa, passo a militar de fato no grupo oposicionista.
Na condição de ativista sindical oposicionista perdi meu emprego na empresa Trans-Bus Ltda.
Impossibilitado de arrumar emprego em uma empresa de ônibus, fui trabalhar como motorista no Depósito de Materiais para Construção Ropeva Ltda. em Diadema.
Firme nos trabalhos (quase que clandestinos) da oposição, encontrei pessoas comprometidas com o trabalho da oposição, entre elas, Drª Clara Cukierman que estagiava no escritório da Drª Gilda Graciano; o trabalho jurídico realizado pela Drª Gilda, foi decisivo para o êxito da chapa 2.
As condições para a militância sindical, na época, eram precárias, as dificuldades eram enormes, mas com que alegria eu fazia aquele trabalho. A convicção na justiça da causa, a necessidade de mudar todo aquele estado de coisas, e a certeza da vitória, nos davam ânimo para seguir em frente rumo ao objetivo a ser alcançado.
Enquanto oposição, passamos a ser referência para os trabalhadores rodoviários do ABC, e éramos também reconhecidos pelo movimento sindical.
Para levar sua mensagem até os trabalhadores rodoviários, foi criado um informativo que se chamava CHAPÉU DE BICO, escrito pelos membros da oposição e impresso nas gráficas dos sindicatos que nos apoiavam. O informativo oposicionista CHAPÉU DE BICO era lido, e suas orientações e informações tinham credibilidade na categoria.
Naquele tempo os trabalhadores rodoviários usavam uniformes, e fazia parte desse uniforme o “quepe” (uma espécie de boné), por esse motivo eram conhecidos e chamados de “chapéus de bico” todos os que trabalhavam com esse artefato na cabeça, vem daí o nome dado ao boletim informativo da Oposição Rodoviária do ABC. Quando os companheiros da chapa de oposição assumem a direção do sindicato (19 de junho de 1981), adotam de maneira oficial para o jornal da entidade, o nome “CHAPÉU DE BICO” que continua a ser usado até hoje.

O tempo passou, e as eleições foram finalmente convocadas pela junta governativa que dirigia o sindicato.
No processo de escolha para a composição da chapa sou indicado como segundo tesoureiro. Eu não me lembro de todos os companheiros que formaram na chapa, mas aqui estão alguns nomes:

DIRETORIA EXECUTIVA

Presidente——–Josias Adão
1º Secretário—–Oswaldo de Carvalho Cruz Júnior
2º Secretário—–Sérgio de Oliveira
1º Tesoureiro—-Aparecido Valério de Oliveira
2º Tesoureiro—-José Wagner Alves Teixeira

SUPLENTES DA EXECUTIVA

Antônio Marcos Andretta
Manobrinha
Luis Pedro
João Antônio dos Santos
Elias (Viação Barão de Mauá)

CONSELHO FISCAL

Luis Pedro dos Santos
Luis Adão de Moraes
Manuel de Lima

SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL

Francisco (Turismo Rodrigues)
Antônio (Turismo Pato Azul)

DELEGADOS NA FEDERAÇÃO

Pedro Jerônimo Neto
Precheca (Turismo Sabetur)

Com a chapa montada o grande desafio era manter seus integrantes no anonimato, pelo menos até seu registro. Alguns foram “descobertos” e demitidos de seus empregos. Por conta dessas demissões foi pedida a impugnação da chapa na DRT, não fosse a competência da Drª Gilda e eles teriam conseguido tirar a oposição da disputa.
Confirmado o registro da chapa 2, fomos à luta, agora mais do que antes porque a junta governativa, durante os meses que comandou o sindicato, havia conseguido simpatizantes entre os trabalhadores o que lhe colocava em condições de quase igualdade na disputa dos votos; é verdade que contavam também, com a simpatia e apoio patronal.
Com grandes dificuldades, já que apenas uma pequena parte de seus integrantes podiam efetivamente participar da campanha, a chapa 2 encabeçada pelo Oswaldo Cruz, com o apoio de grande parte do movimento sindical combativo, vencia as eleições para a diretoria do sindicato dos Trabalhadores Rodoviários e Anexos do ABCDMRP.
Eu não lembro exatamente o mês e os dias que aconteceram as eleições, mas lembro-me de que a posse dos novos eleitos se deu no dia 19 de junho de 1981. Enquanto esperávamos pela data da posse acontece um incidente que mudaria a composição inicial da chapa.
O presidente eleito, Oswaldo Cruz Júnior, declara, em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, que logo após tomar posse vai fazer uma auditoria nas contas da junta governativa, pois havia a suspeita de que o sindicato passava por grandes dificuldades financeiras, por má administração de seus interventores.
Os regulamentos da época mandavam a diretoria executiva da chapa eleita fazer uma reunião e confirmar ou não seu encabeçador antes da posse.
Preocupado com a declaração do Oswaldo o companheiro Josias, na reunião dos cinco membros da executiva em que se daria a confirmação do encabeçador, faz críticas ao companheiro presidente pela declaração dada ao jornal, dizendo que isso poderia fazer a DRT adiar a nossa posse já que ela, na condição de responsável pela indicação dos interventores, poderia chamar para si a responsabilidade fazendo a tal auditoria e nossa posse estaria adiada “sine die”.
Com base nessas declarações Josias questiona a capacidade do Oswaldo para conduzir os destinos do sindicato e propõe que a cabeça da chapa seja novamente discutida pelos companheiros da direção executiva.
A proposta foi colocada em discussão, Oswaldo não se defendeu e a diretoria executiva decidiu mudar o encabeçador colocando em seu lugar o companheiro Josias Adão ficando o Oswaldo com a primeira secretaria.
Penso que relembrar e reavaliar decisões equivocadas do passado seja um ato masoquista, mas reconheço que mudar a cabeça da chapa foi um grande erro. Cometido, é verdade, por conta da nossa falta de experiência.
A DRT não adiou nossa posse e sentindo-se traído, Oswaldo trabalhou durante todo o seu mandato para tirar o Josias da presidência.
Posse tomada, responsabilidade assumida, vamos aos problemas:
Diretoria assume no dia 19 de junho de 1981, dia 20 teria que pagar o vale dos funcionários e o cofre estava vazio, não havia dinheiro para fazer o pagamento.
Como superamos esse problema eu não me recordo, mas creio que conseguimos ajuda dos sindicatos que nos deram apoio durante a campanha.
Foi um primeiro ano muito difícil, tivemos greve dos funcionários do sindicato, nossas assembleias eram invadidas por elementos pagos pelos patrões, com a finalidade de impedir a aprovação de decisões, que facilitariam o trabalho dos diretores, as mensalidades dos sócios, que sempre foram descontadas compulsoriamente, deixaram de ser pagas ao sindicato.
Diante de tantas dificuldades, decidimos vender um imóvel de propriedade do sindicato e, com esse objetivo, convocamos uma assembleia que foi realizada em um sábado, na sede do sindicato na rua Dr. Luiz Pinto Fláquer.
Nesse dia homens, que se diziam trabalhadores rodoviários, invadiram a assembleia, impediram a aprovação da venda do imóvel e quebraram quase tudo, pouca coisa escapou.
Nesse dia, na mesma hora, eu estava realizando um ato público, em frente a igreja Matriz de São Bernardo do Campo, contra a dupla função realizada pelos motoristas, que eram obrigados a dirigir e cobrar as passagens. A volta dos cobradores foi um de nossos compromissos de campanha.
A partir desse dia, desse quebra-quebra, nós tivemos a verdadeira noção do que nos aguardava pela frente. Foram muitas assembleias que terminaram em pancadaria geral. Isso dificultava muito o nosso trabalho para organizar os trabalhadores. Os sindicatos amigos já não queriam mais emprestar seus salões para a realização de nossas assembleias.
Na condição de segundo tesoureiro, fui designado para ser o diretor responsável pela subsede de São Bernardo, e lá comecei a realizar um trabalho de base que iria nos ajudar muito em futuras assembleias.
A Viação Diadema era uma grande empresa de ônibus, nela trabalhavam uns 700 funcionários; com algum trabalho conseguimos sindicalizar a grande maioria.
Em uma empresa com tantos trabalhadores, o que mais havia eram problemas.
Trabalhadores sindicalizados e organizados; fomos à greve, foi uma das greves mais bonitas que eu organizei durante minha militância sindical.
Na madrugada de um determinado dia, trabalhadores da Viação Diadema cruzam os braços e se recusam a entrar para trabalhar. A polícia chega com suas viaturas e um militar, cuja patente eu não lembro, manda os funcionários entrarem para o trabalho, eu explico ao oficial o que se passava, usando o para-choque da viatura como um palanque, digo aos trabalhadores, que eles eram livres para decidirem se queriam entrar para o trabalho, ou ficarem parados até a solução de seus problemas; ninguém se moveu, o oficial presenciando a cena, nos desejou sorte e foi embora com seus soldados. Entramos, junto com uma comissão de trabalhadores, para negociar com os patrões. Foi uma grande vitória, porque além de solucionar os problemas que ocorriam com os trabalhadores na empresa, conquistamos em definitivo a confiança deles.
A partir dessa vitória, a história de nossas assembleias começaria a mudar.
Em certo ano teríamos que realizar uma assembleia para aprovar a pauta da campanha salarial, definida a data e o local, convocamos os trabalhadores a comparecerem.
O nosso companheiro Agenor Narciso, então presidente do sindicato dos químicos, nos cedeu o salão para a realização da assembleia.
Diretores preocupados; o medo é que fosse mais uma assembleia acabando em pancadaria.
Nessa assembleia nossa responsabilidade estaria aumentada, pois dela participaria nossa querida companheira advogada Gilda Graciano.
Na hora de se iniciarem os trabalhos da assembleia, começam a chegar os “bate paus” dos patrões, o clima vai ficando tenso; companheiro Josias chama a composição da mesa, e dá início aos trabalhos. Passado algum tempo começam a entrar no salão, trabalhadores da Viação Diadema, eram muitos, lotaram o salão. A assembleia transcorreu na mais absoluta calma, aprovamos o que queríamos, e muito mais.
Fim da assembleia, alguns “bate paus” dos patrões começam a fazer provocações e o “pau come”, aqueles que vieram para acabar com mais uma assembleia dos condutores, tomaram um “cacete” e nunca mais nos importunaram.
Apesar das dificuldades, conseguimos organizar os trabalhadores rodoviários, que passaram a ver em seu órgão de classe, um instrumento para lutar contra a exploração patronal.
Em 1982 o setor de fretamento, através de uma greve que durou três dias, conquista o melhor acordo coletivo feito até hoje pelos trabalhadores desse setor. Para se ter uma ideia do avanço conquistado; esse acordo garantia a estabilidade ao trabalhador, que levasse a empresa para a justiça pelo descumprimento de qualquer de suas cláusulas, essa estabilidade durava até a sentença transitar em julgado. Como a patrãozada era “useira e vezeira” em descumprir acordos, muitos trabalhadores garantiram seus empregos através dessa cláusula.
Com isso os companheiros do fretamento começaram a frequentar mais o sindicato, e suas assembleias. A única reivindicação que não se conquistou nessa greve foi a mudança da data base, que acontecia em novembro, e pleiteava-se sua mudança para maio.
Logo que assumimos a direção do sindicato, começamos a trabalhar para cumprir os compromissos assumidos durante a campanha. Um dos compromissos, que quase ninguém da categoria acreditava na sua conquista, foi a volta dos cobradores. É importante dizer que o movimento pela volta dos cobradores, começa exatamente no dia em que os marginais, a mando dos patrões, invadem a sede do sindicato e destroem quase tudo. Nesse dia enquanto o sindicato era quebrado, a mando dos patrões, nós iniciávamos através de um ato público, realizado nas escadarias da igreja Matriz de São Bernardo, a campanha pela volta dos cobradores. Durante o tempo que durou essa campanha, nós procuramos ajuda de todos os sindicatos da região, sociedades amigos de bairros, enfim, de todas as entidades compromissadas com a luta contra o desemprego.
Procurando algum respaldo jurídico para nos ajudar nessa luta, descobrimos que havia uma lei federal proibindo os ônibus municipais de operarem sem o cobrador. Passamos então a cobrar dos prefeitos uma decisão a respeito; agora estava nas mãos deles a volta dos cobradores, pelo menos nas linhas municipais. Havíamos decidido, por questões estratégicas, que o movimento pela volta dos cobradores, se daria a partir de São Bernardo que era governada pelo então prefeito, Tito Costa.
Em uma das reuniões realizada com o prefeito ele nos pediu um prazo, e lhe foi dado um prazo. Findo o prazo e nenhuma decisão tomada decidimos então realizar o dia do PASSE E NÃO PAGUE, em S. Bernardo. Em determinado dia, os diretores foram para os pontos finais dos ônibus, munidos de cadeados e começaram a travar as catracas, e os passageiros que já tinham sido previamente avisados do movimento, eram orientados a pularem a catraca, ou a descerem pela porta de trás do coletivo. Eu e o companheiro Josias ficamos encarregados de travar as catracas no ponto final da Viação ABC no Jardim Farina.
Realizamos esse trabalho até umas nove horas da manhã, quando fomos detidos pelos integrantes de uma viatura policial, e conduzidos até a delegacia do 1º Distrito Policial da cidade.
Lá chegando encontramos os chefes de algumas empresas, que se mostravam dispostos a fazer um acordo para por fim ao movimento.
Após uma reunião, realizada lá dentro da delegacia de polícia, chegamos a um acordo:
– As empresas se comprometiam a contratar cobradores a partir do dia 1º de abril de 1982.
Os termos desse acordo foram lavrados no verso do BO (boletim de ocorrência) feito por conta de minha detenção e do Josias.
Evidentemente que um acordo feito dentro de uma delegacia de polícia, estabelecendo que em 1º de abril começaria a contratação de cobradores, levantou uma certa dúvida, que foi resolvida com o cumprimento do acordo assinado pelos empresários, na data combinada.
Em uma época de grande desemprego na região, foram contratados perto de cinco mil trabalhadores, pelas empresas de ônibus. Os motoristas se livraram da dupla função, abriu-se mais um mercado de trabalho, e a direção do sindicato provou que com disposição, luta e alguma organização os trabalhadores poderiam ir muito mais longe.
E foi o que aconteceu, depois disso vieram o piso salarial para motoristas e cobradores, livre acesso dos diretores do sindicato às dependências das empresas, para a realização do trabalho sindical, participação do sindicato nas eleições das CIPAs, etc.
Depois de importantes conquistas para os trabalhadores, nosso sindicato passa a ser referência para os rodoviários do estado.
Participamos durante os três anos de mandato, de quase todos os movimentos que lutavam para fazer avançar as conquistas dos trabalhadores. Junto com esses movimentos, lutamos pela estabilidade no emprego, liberdade e autonomia sindical, salário desemprego, etc. Estávamos presentes nos congressos que precederam a criação da CUT. Os trabalhos no sindicato tomavam grande parte de meu tempo, mas em minhas “folgas” eu conseguia me ocupar com a tarefa de ajudar a organizar o PT, em meu bairro. Na garagem de minha casa, em Vila Ferrazópolis, funcionou um dos primeiros, senão o primeiro, núcleo de bairro do partido.
Com tanto trabalho o tempo passou rápido, e já era hora de organizar as eleições para a direção do sindicato, nosso mandato estava chegando ao fim.
Oswaldo Cruz já havia decidido que seria candidato à presidência, e para isso havia trabalhado durante todo o seu mandato. Na composição da chapa ofereceu-me a tesouraria; recusei a proposta, pois já havia me decidido a deixar a militância, por problemas pessoais que pensava, seriam agravados com a minha permanência no trabalho sindical. Dessa forma afastei-me das discussões para a composição da nova chapa e com isso Oswaldo se viu livre para compor uma chapa com companheiros simpáticos à ele. Ao Josias coube a vice-presidência.
Eleito presidente, Oswaldo não tardou a por em prática sua vingança contra o Josias. Logo no início do ano de 1985, eu não lembro exatamente qual o motivo alegado, Oswaldo chama uma assembleia, cujos participantes foram escolhidos a dedo, e aprova o retorno do Josias para a empresa em que ele trabalhava, Viação Diadema.
Compareço à essa assembleia e vou em defesa do companheiro Josias. De nada adiantaram meus argumentos, e naquela assembleia, Oswaldo aprova o retorno á empresa, como forma de “punição”,um dos mais honestos e íntegros, dirigente sindical que a categoria rodoviária do ABC conheceu, Josias Adão.
Oswaldo em sua sede de vingança contentou-se em, “apenas” devolvê-lo ao volante. O que mais me indignou naquilo tudo, foi a complacência com que as lideranças sindicais lidaram com o fato, foi como se nada tivesse acontecido. A CUT, já em atividade na época, sequer protestou em defesa do companheiro. Com o caminho livre, Oswaldo torna-se uma espécie de proprietário do sindicato, e o comanda com mão de ferro. Articulado com boa parte dos dirigentes da CUT, para evitar apoios a possíveis grupos de oposição, e já com a simpatia dos empresários, Oswaldo permanece à frente do SINTETRA até ser morto, em 06/01/1994 por um diretor com o qual tinha problemas pessoais.
Longe da direção sindical por seis anos, em 1990 organizo junto com o Josias um movimento de oposição aos diretores do SINTETRA. Conseguindo algum apoio financeiro, montamos uma chapa e a registramos, para disputar as eleições que seriam realizadas no começo daquele ano.
Apesar do Oswaldo já não gozar de muito prestígio no meio sindical cutista, a oposição não consegue apoio da CUT para enfrentá-lo na disputa eleitoral. Sem muita estrutura fomos para o embate; aí começou a acontecer aquilo, que eu chamaria de milagre:
1º- Conseguimos registrar a chapa.
2º- Saímos vivos e inteiros da apuração dos votos. Tudo sob os olhares complacentes de alguns dirigentes cutistas presentes.
A grande alegria desse processo foi ter derrotado o Oswaldo em São Bernardo e Diadema. Nessas cidades tivemos mais de 90% dos votos, e ganhamos também nas empresas do corredor do trólebus, por uma pequena margem, mas ganhamos. Provavelmente com um apoio mais significativo, nós o teríamos derrotado. Nessas eleições tivemos o apoio firme, decidido e solitário do companheiro José Carlos, ex-metalúrgico membro da comissão da Ford incansável militante da luta operária.
Terminado o movimento oposicionista em virtude da derrota sofrida, voltei para minha rotina de funcionário público, onde estou até hoje.”

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BRIGA DE CACHORRO GRANDE (P=peãozada x P=pelegada)

50 anos de oposições sindicais
brasil do pau-brasil
das bananas
das bacanas
das desigualdades gerais
das minas gerais
das explorações
das madeiras
do ouro
do algodão
da borracha
da cana
e também das “canas”
dos quilombos massacrados
dos índios aprisionados
dos camponeses jogados
dos operários machucados
enfim, milhões de explorados
desempregados, desalojados
do café
dos carros
enchendo a cara dos tubarões
enchendo o saco das ruas e populações
enchendo o mundo de poluições
enfim…
sem falar do mensalão
que, pelo sim, pelo não,
esquerda e direita
saem de dadas mão-a-mão
pois cada uma
sai garantida
cada uma com seu quinhão,
ou milhão
ou bilhão
não importa o tamanhão
corrupção
corrupção
nada de aceitar
não
mesmo que o supremo diga
sim ou não
e para a gente sentir firmeza
vamos ao prato do dia
na mesa
a europa da nobreza
a europa burguesa
a europa da riqueza
sim
só para as multinacionais
beleza
e para o resto
resta a pobreza
multidão nas ruas
botando pra quebrar
sinal que o
CAPITALIXO
nunca serviu
e nem serve para o bicho
chamado homo sapiens
e paro por aqui
neste tema
para não encher mais o saquiens

mas volto
a 50 anos atrás
50 anos de oposições sindicais
enfrentando pelegos profissionais
tropas e tanques oficiais
mesários e urnas?
só para chapas oficiais
para as oposições?
nada de mesários e nem fiscais
mas, daí…
a multidão, a peãonzada
gritou:
chega de pelegada!

vamos com força pesada
criar a primavera sonhada.
foi um tal de
acorda peão
chega de exploração
chega de opressão
agora somos oposição
derrubando a situação
resumindo a história
desta pequena revolução
em 50 anos de combate
pelegos históricos sofreram
empate e desempate
pelegos caindo
em xeque-mate
campo e cidade
de qualquer idade
foram pro arremate…
mas a história
não parou por aí
com poder e dinheiro à vista
os neo-pelegos
se instalaram por aqui
surge uma nova lista
disfarçada de classista
mas pelega e continuísta
a multidão enfurecida
busca uma nova conquista
jogando pra fora da pista
o novo engano oportunista
criando uma nova base
de luta
democrática
e classista
a multidão avança
rumo a uma sociedade
de verdade
igualitarista
um novo caminho
uma nova pista…
e por aqui eu paro
este verso e contra-verso
da multidão ensaista
conclamo o camarada:
persista!!!
______________
Autor: desconhecido, odeia autoria privatista, contra crédito individualista, contra direito autoral privatista. Viva a igualdade!!!

Assinado: a multidão em marcha.

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Programação do Seminário “Meio século de oposições sindicais no Brasil” (1962-2012)

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Seminário: “Meio século de oposições sindicais no Brasil”

Dias 08 e 09 de novembro de 2012 – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ – Rio de Janeiro.

Seminário: "Meio século de oposições sindicais no Brasil"

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Multidão em movimento – San Diego

Em 12 de novembro de 2011, conferência em San Diego:

http://sandiegoiso.org/socal-socialism-conference-2011

“Embora estivesse frio e chovendo o dia inteiro, umas 50 pessoas estavam lá do começo ao fim, de várias idades, origens, experiências, etc. A maioria, pelo que vi, participa ativamente de movimentos os mais variados, alguns há vários anos, outros apenas começando. Conheci uns rapazes de uns 18, 20 anos de idade que deram depoimentos interessantes sobre como eles resolveram começar a participar de manifestações e protestos (em resumo, após perceberem que a geração deles está num beco sem saída, pulando de um bico pra outro, sem futuro certo, sem seguro saúde, etc). Situações concretas levando a ações concretas.

Teve um misto de palestras, discussões em grupo, debates, etc. Uma lista de textos sugeridos ao fim da página acima dá um pouco o tom dos assuntos. Felizmente o tom não puxou para o livresco demais (teórico de biblioteca); muitos debates eram calcados diretamente na prática cotidiana dos movimentos (incluindo as participações mais recentes no movimento Occupy Wall Street, mas muitos outros antes desse também). Também achei legal uma certa abertura a considerar a “não-fixidez” de nenhuma teoria; no sentido de que nada é inevitável ou pré-destinado; idéias (Marx, etc) estão aí para serem confrontadas com a prática, ou atualizadas por ela conforme necessário.

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Corrupção: cortar pela raiz, não pela rama!

Entrevista concedida por Valdo Ruviaro à TVT, no dia 12.10.2011, em São Paulo.

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Exposição documental no “UFABC para todos”

“Nestes últimos dias 2 e 3 de junho, foram expostos, durante o evento “UFABC para Todos”, uma pequena parcela do material sobre movimentos sociais e sindicais no ABCD doado à universidade”. Continue lendo

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A Região do ABCD e os movimentos sociais

Livro sobre a história de Diadema

“Fruto do trabalho dos pesquisadores Valderi Antão Ruviaro e Yara Silvia que, em mais de três décadas de militância em movimentos sociais, sindicais e culturais, reuniram um vasta e rica documentação sobre, principalmente, o perídos de lutas sociais na região do ABC paulista, desde meados da década de 1970 e até os dias atuais. Devido à falta de apoio para a realização desse trabalho, a ideia de produzir um grande livro impresso teve de ser abortada, porém, a versão digital do mesmo foi realizada com sucesso. O livro pode ser encontrado no site mantido por Valdo e Yara, o “Sítio Polêmico: um terreno crítico”. No link abaixo consta uma entrevista dada por Valdo à TvT, falando brevemente sobre o livro.” (…)

Trabalho, identidade e cultura

Este trabalho de estudos culturais para a disciplina Identidade e Cultura (2o. quadrimestre de 2011) pretende aprofundar-se nas noções de cultura e nos processos de identificação dos sujeitos e grupos dentro dos movimentos sociais, sindicais e culturais históricos da Região do ABC paulista nas décadas de 1970, 1980 e 1990.

Para isso, serão realizadas pesquisas documentais e bibliográficas, bem como entrevistas com alguns dos atores deste período tão marcante para a história do ABC.

A pesquisa documental será feita a partir da documentação doada à UFABC pelos pesquisadores e militantes de longa data, Valderi Antão Ruviaro e Yara Silvia, que por mais de três décadas coletaram o material e também participaram ativamente dos movimentos.

(Publicados em 31 de maio/2001, no blog “Movimentos Sociais, Sindicais e Culturais do ABCD”)

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Diadema contada em imagens

A jornalista Maria Angélica Ferrasoli publica, em seu blog “Memória e Sentimento”, a entrevista que fez com Valdo Ruviaro, em 15/5/2011, sobre o trabalho de reconstrução da História de Diadema.

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A polêmica reconstrução histórica

Valdo Ruviaro é entrevistado por Manoel Hélio Alves – dia 26/5/2011 – durante o XI Congresso de História do ABC, em Diadema.

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